Esse não sou eu sendo um fantasma,
este sou eu sendo assombrado
por todas as bombas
que um dia caíram nessa cidade,
que já existiu sem você.
Era tudo real, até que não fosse mais,
quando eu senti
que esse já não era meu lugar.
O amor que você necessita é platônico,
e meu coração é uma escrita aristotélica,
uma transcrição de sentimentos socráticos
jamais decifrados,
destinadas as respostas se perderem
em um frasco com cicuta,
em algum lugar guardado.
Você desejava ser a última,
em um jogo de milhares,
e como eu queria
que a sorte
estivesse em seu favor.
Talvez não seja a hora,
talvez nunca seja,
mas estar ao seu lado
trouxe o melhor
e o pior de mim,
e isso é assustador.
Querer te dar segurança,
me fez estar cara a cara,
com minhas inseguranças,
não que esse fosse o motivo,
de eu ter perdido minhas esperanças,
mas quem sabe eu não seja ainda
a pessoa que eu quero ser
em suas lembranças.
O presente que desenhávamos era o mesmo,
mas as pontas de nossos lápis se perderam
no futuro
que mal chegamos a rabiscar
um ao outro.
Tentei ser, além do que podia,
e toda a chama ardente que senti,
me consumiu
até que se tornasse
um único tom de cinza,
o meu vermelho, amor.
Entre tantos sinais divergentes,
ligações no escuro,
risadas sinceras,
momentos em silêncio
e minhas tentativas estúpidas
de chegar até você
seu sorriso já não era mais
uma recompensa suficiente
para eu me sacrificar,
e apesar de ser como o reflexo da lua,
eu não mereço
ficar por tanto tempo
esperando a noite chegar,
ser seu reagente,
sem nem saber
a cadeia de eventos
que vai se desencadear.
Quem sabe almas gêmeas continuem a existir
sem a necessidade de se encostar,
mas como eu queria
que você tivesse demonstrado mais
o seu gostar.
Eu sei que em um mundo mais justo,
essas palavras teriam sons,
mas não faz sentido se justificar
pra alguém que não permitiu
que algo pudéssemos se tornar.
Quem sabe em essência
fôssemos formados do mesmo,
estruturados de nossas formas,
e destinados a não se assemelhar
Mas acho que para sempre
vou me perguntar
como seria
a sensação de te amar.
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(H) Arts
PoetryUm cofre poético do qual a chave se perdeu em um mar de sentimentos.
