Um ano se passou,
e, Hartt, ainda vive,
ainda existe,
arte em você.
Mais de uma centena de poemas nos separam,
e se triplica o número de almas,
que suas mãos, seu coração, tocaram.
Nem mesmo nossos nomes e corpos são os mesmos,
mas quem sabe o coração precise
de um pouco mais de tempo do que a pele
para cicatrizar.
Talvez com um pouco menos de cabelo,
uma barba que começou a crescer,
e com um pouco mais de músculos,
passamos a viver.
E se meu entendimento sobre o azar estiver correto,
corremos, para anos tão distantes das cabras,
que, quem sabe,
nos aproximamos dos cachorros.
Corri, pra tão longe da mentira
que quem sabe tenha me perdido,
na realidade, é difícil,
trilhar um caminho de verdade,
que não acaba ao seu lado.
Nem sempre existe um arco íris,
quando a tempestade clara,
mas já não ouço mais
o som dos trovões.
Esse luto cósmico nunca vai embora,
mas aos poucos o cosmos se resume
em planetas melhores, menores,
nos quais vivo, alternando,
e quando o ponteiro girar,
sei que não vou estar sorrindo,
mas pelo menos não derramarei lágrimas
nos presentes de minha mãe,
e está tudo bem,
somos eu, um bolo, e a verdade.
Como todo animal,
às vezes ainda sinto,
o ódio e o gosto do ferro,
dependendo da lua no céu,
mas deixo cada vez mais,
de exercer arbitrariamente minhas próprias emoções,
quando derramo sangue no chão do presente,
e meus olhos brilham em cinza.
As chaves de casa se tornaram menores,
ou quem sabe sejam as fechaduras
que ficaram maiores, mas,
ainda continuamos para fora.
Você pensou que sabia o que era o amor,
e realmente sabia, mas assim como a luz,
a verdade é que ele pode ficar pra trás,
como uma memória,
como o espaço,
como o tempo.
Passamos por todos,
e diferentes estágios,
mas realmente não sei,
em qual eu me encontro agora.
Meses pareceram uma eternidade,
quando a luz do dia era sempre,
reflexo de sóis antigos.
Semanas pareceram anos,
quando a terra continuou a girar,
sem meu centro de gravidade.
Todos os dias, desde então, são lembretes,
dos anos que passaram apenas nos calendários,
enquanto eu vivia com meus olhos apenas nele,
corro atrás do tempo que aproveitei, mas não vivi,
com medo de desperdiçar o auge da minha juventude
e acabar simplesmente, como um poeta,
perdido no poço de memórias dos poucos
que leram meus sentimentos.
Ainda temo morrer da forma que nasci,
mas às vezes tenho esse sentimento, de que,
quem sabe não aconteça,
mas que quando o dia chegar,
não haverá o DNA de quem eu quero,
nas lágrimas derramadas,
sob minha pele pálida,
mas irrigada.
Tive esse sonho recentemente,
onde nele acordei ao seu lado,
apavorado, com medo de que
não estivesse acordado,
e então, despertei,
como em todos os outros,
períodos vespertinos.
As memórias sempre voltam,
e mesmo nas piores das dores,
eu não desejo te esquecer,
mesmo nas piores das dores,
eu ainda lembro,
pois em tudo que escrevo
ainda tem um pouco de você,
seja meu ódio, minha saudade ou minha dor.
É hora de te deixar, mas não sei quando eu voltaria te pegar
é hora de te esquecer, mas tenho medo de nunca mais lembrar,
é hora de viver,
e eu não quero,
eu não sei,
eu não queria
fazer essa merda sem você,
mas dói,
porque eu consigo.
É a hora,
mas o relógio está quebrado.
Meu coração acostumado,
forte, ainda bate,
mas mesmas memórias,
mas aos poucos,
viver parece depender menos
de esquecer,
não que seja possível reescrever,
mas viver novos infinitos temporários,
que quem sabe algum dia
resolvam ficar,
que quem sabe,
façam minha alma, de volta, chorar,
meu sangue eu derramar,
meus genes compartilhar,
me façam, voltar a acreditar,
que o auge da minha vida,
ainda vai chegar,
ou que pelo menos,
eu possa amar,
e quem sabe,
se perpetuar.
Preciso que seja um fato, para que eu deixe de idealizar,
preciso assumir, que estaria escrevendo sentimentos fictícios,
se a verdade não fosse, que enquanto eu viver em um número menor que três, amarei,
e acho que eternamente serei preenchido pelo vazio de você,
não sei se existe algum lugar pra onde eu possa correr,
mas está tudo bem, pois eu não preciso,
deve existir um amanhã chegando,
e ele não vai se importar,
de me esperar,
caminhando.
E nesta vigésima segunda estrofe de meu poema,
espero não repetir palavras,
espero que os próximos versos sejam novos,
que minhas conquistas
superem meus desejos do passado,
que minhas dores sejam outras,
que surjam novas poesias geniais,
memórias, sabores, sentimentos incríveis,
e que, quando a saudade me visitar,
eu abra a porta e a ofereça um café,
mas sem convidá-la para ficar,
que, quando as memórias surgirem,
eu respire, mas sem perder o ar,
e que, quando este ano acabar,
eu enfim esteja pronto
para escrever um vinte e três,
que seja possível deixar para trás.
VOCÊ ESTÁ LENDO
(H) Arts
PoetryUm cofre poético do qual a chave se perdeu em um mar de sentimentos.
