capítulo 37

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Helena

Chegamos na pensão e pegamos uma mesa no canto, tinham poucas pessoas já que passava do horário normal de almoço.

— Qual é o assunto urgente? — pergunto depois de pedir uma coca e um pf.

— Nem vai me perguntar se tô bem? Tu já foi melhor morena.

Reviro os olhos pra ele que abre um sorriso, parece que isso já virou uma provocação nossa.

— Como você está Rogério? Tudo certo no mundo do crime?

Ele da risada e chega mais perto — Adoro escutar você falar meu nome, só não conta pra ninguém.

Vejo ele se ajeitar na cadeira e começar a falar…

— Então eu tenho que ir com você?

— É isso. Eu poderia levar outra pessoa e falar que é quem faz as parada, mas tu já ta ligada que o morro tem olhos e ouvidos. 

— Não! Eu quero ir.

Ele franze a testa pra mim com desconfiança.

— Relaxa, não tô tentando te passar pra trás. To contigo, já falei.

— Que bom, porque eu não tô disposto a te perder pra outro filho da puta.

Ele fala logo quando os pratos chegam e eu deixo escapar um meio sorriso pra ele que fica me olhando com cara de bobo por uns segundos.

Dois dias depois e o carregamento estava pronto para distribuição. 

Acompanho o L7 e Sorriso até o galpão onde os carros estão sendo montados com os pacotes enfiados nos bancos. 

Cobra supervisiona tudo encostado na pilastra ao fundo, com o fuzil atravessado e um cigarro na boca. 

Dou uma olhada pro meu irmão e vou até Rogério que ajeita a postura assim que me vê chegando 

— Admirando meu trabalho?— pergunto assim que encosto na pilastra que ele estava um momento antes.

— Só vendo se você fez direitinho, não quero ter que te cobrar depois.— ele ri pra mim

— RÁ. Muito engraçado… — pego o cigarro de seus dedos e coloco na boca dando uma tragada — Admite logo que meu trabalho está impecável, e me agradeça quando seus chefes elogiarem você. 

Ele observa o movimento dos meus lábios se fechando em volta do cigarro e fico com vontade de mexer com ele então, solto a fumaça devagar olhando direto nos seus olhos e faço questão de passar a ponta da língua nos lábios. 

Vejo quando Rogério engole com dificuldade e dá um passo na minha direção mas é parado quando um dos soldados chama por ele. 

— Acabamos chefe. Estamos prontos para ir. 

Ele ignora por um momento e continua me olhando. 

— Vai lá, seus cachorros estão chamando.

— Me espera, quero falar com você. — ele tenta disfarçar.

— Hoje é minha folga, chefe. Vejo você amanhã — pisco pra ele e viro as costas saindo dali

— Bandida. 

Saio do galpão e dou uma risada, e percebo que pela primeira vez eu me deixei levar por ele, e gostei disso.

Caminho até em casa doida para aproveitar umas horas sozinha, sem ouvir a voz de ninguém. 

Quando eu chego, tomo um banho e me jogo na cama pegando meu caderno e revendo algumas anotações. Depois que o Cobra me falou sobre a reunião comecei a buscar toda e qualquer informação que eu conseguisse sobre tudo relacionado ao morro e ao crime organizado daqui e dos morros aliados. 

Não quero chegar na frente desses homens parecendo desinformada. Seria um alvo fácil por acharem que sou ingênua. 

Sorriso 

Vejo os carros saindo do galpão levando a mercadoria pros aliados, e pensar que foi feito pela minha irmã… Porra eu não devia falar isso, mas da mó orgulho mané

Vi a interação entre ela e o Cobra e a minha vontade foi de arrastar ela dali direto pra casa. So de pensar na minha estrelinha se envolvendo com um malandro desses eu fico doido, mas fazer o que?! Ela é de maior ne, e tô ligado que o chefe é gente fina.

— Qual foi. Bora tomar uma gelada lá no Pedro? — L7 me catuca Com o cotovelo enquanto coloca a bandoleira da arma de volta no pescoço. 

— Bora, meu turno hoje é só mais tarde. 

Faço um sinal pro chefe e aviso que vamos esperar ele lá no bar e sigo o mano L7 pra fora. 

— Lá vem problema… — o pivete fala e faz sinal com a cabeça enquanto toma um gole do copo.

Quando chegamos no bar os muleque já estavam no grau então só puxamos as cadeiras e sentamos junto. 

Olho pra direção que ele apontou e vejo a Vanessa vindo na nossa direção com o olhar em cima do Cobra. Ele estava de frente pra rua fumando tranquilo e nem percebeu quando ela chegou jogando os braços no pescoço dele. 

— Caralho já te mandei o papo que não gosto dessas parada Vanessa. — ele da um passo pro lado e tenta empurrar ela sem jogar ela no chão. 

— Ai amor, tava cheia de saudade, você não me procura mais… 

Ele revira os olhos e eu nem aguento ver essa garota se humilhando desse jeito, levanto e vou até o balcão pedir outra dose. 

— Mano, não deixa essa mina continuar mexendo com a tua cabeça ele não. Uma hora o arrependimento vai bater parceiro. — L7 para do meu lado e coloca a mão no meu ombro.

— Foda mano. — passo a mão no rosto cansado. — eu nem ligo mais não, só é foda vê que ela sempre preferiu as migalhas de qualquer um do que eu por inteiro. Eu tava disposto a dar tudo a ela ta ligado…

Olho pra ele e vejo ele abaixar o olhar e engolir seco. 

— É mano, mas tá cheio de gente querendo uma chance contigo, é só tu tirar os olhos dali e focar em outro lugar.— ele me aconselha e eu concordo dando uma batida de ombro nele  

— Tu ta certo mano, valeu por ta sempre por perto irmão. 

Ele da um meio sorriso e vai ao banheiro enquanto eu saio e me sento no meu lugar outra vez e vejo que a Helena está sentada na minha frente e o cobra tenta manda a Vanessa embora sem sucesso. Como sempre…

Mente CriminosaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora