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Harrenhal's Shadows

I Found - Amber Run

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A chegada a Harrenhal fora marcada por um cansaço quase palpável, o peso dos dias de viagem acumulado em cada músculo dolorido e cada suspiro hesitante. A comitiva de Dorne avançava como uma serpente reluzente sobre a trilha poeirenta, os estandartes dourados e alaranjados balançando sob o céu cinzento, desafiando a melancolia daquele lugar com uma vivacidade que parecia deslocada.

O castelo erguia-se diante deles como um gigante moribundo, cujas ruínas ainda guardavam vestígios da antiga glória. As muralhas negras, castigadas pelo fogo e pelo tempo, pareciam ressoar histórias de dor e destruição.

As torres retorcidas alcançavam os céus, mas havia algo na maneira como se inclinavam - como se o próprio peso da maldição que recaiu sobre Harrenhal as obrigasse a curvarem-se.

Para Rhaenys, era como se tivessem cruzado um portal para outro mundo, onde o frio era mais cortante e o ar mais denso. Dorne era um reino de luz, calor e cores vibrantes, onde o Sol ardia como ouro líquido e as areias cintilavam sob seu olhar atento.

Porto Real, embora decadente em muitos aspectos, ainda possuía uma vitalidade única, um pulsar que mesmo os piores dias não conseguiam silenciar.

Harrenhal, entretanto, era o oposto de tudo que conhecia. Era sombrio, austero, como se fosse menos um castelo e mais uma tumba colossal construída para enterrar gigantes.

Rhaenys ajustou a postura sobre a montaria, os dedos crispados sobre as rédeas enquanto os olhos percorriam os detalhes frios e imponentes da fortaleza. Sua barriga estava mais evidente agora, o peso da gravidez a lembrando constantemente de sua condição. Uma lembrança que tornava o ambiente ainda mais hostil, como se o próprio lugar desaprovasse sua presença.

Ela se viu desejando os corredores da Fortaleza Vermelha, o jardim dos deuses onde costumava caminhar ao amanhecer e o calor sufocante de Dorne que, apesar de às vezes ser inclemente, ainda era acolhedor. Mas Harrenhal não acolhia ninguém. Era uma fortaleza para repelir, para intimidar.

- Aquilo é uma torre torta? - A voz de Obara irrompeu seus pensamentos, a criança inclinando-se na sela para observar os detalhes tortuosos do castelo.

- É sim, querida. - Rhaenys respondeu suavemente, os olhos ainda presos na estrutura descomunal.

- Como ela não cai? - A menina perguntou com um tom de admiração curiosa, alheia ao desconforto dos adultos.

- Talvez porque esteja se segurando com todas as forças. - Disse Oberyn, um sorriso leve curvando-lhe os lábios. Mas até aquele sorriso parecia cansado.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora