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O quarto estava banhado em dourado, mas não o dourado cortante do sol de meio-dia - era um ouro líquido, morno, filtrado pelas cortinas finas e quentes que balançavam suavemente com o vento da noite. Velas tremulavam nas paredes, lançando sombras longas e brandas pelas pedras ocres.
Dorne parecia finalmente respirar em silêncio. Como se até os ventos soubessem que o dia fora longo demais.
Oberyn entrou descalço, com os cabelos ainda úmidos e uma túnica leve amarrada frouxamente na cintura. O corpo, embora exausto, carregava a lembrança do vinho, do banho quente, e agora - do descanso prometido. Seus olhos, no entanto, encontraram algo melhor que qualquer promessa: Rhaenys.
Ela já estava no quarto, sentada à beira da cama com uma camisola fina, de tecido claro que caía solto sobre os ombros. Os cabelos platinados escorriam pelas costas como fios de luar, ainda úmidos do banho. A pele, clara como porcelana banhada de mel, reluzia sob o brilho brando das lamparinas. E seus olhos - lilases como lavanda sonhada - o encontraram com doçura.
Oberyn não disse nada de imediato. Apenas a olhou, como quem contempla um templo que conhece de cor, mas cuja beleza nunca se esgota.
- Está quieto. - Disse ela, em voz baixa, convidando-o sem urgência.
Ele se aproximou, puxando uma almofada com o pé antes de se ajoelhar diante dela. Com dedos ainda mornos do vapor, tocou sua barriga saliente. O ventre dela estava maior do que deveria, cheio de vida demais, de mistério demais.
- Vaelar disse algo. - Ela murmurou, olhando para baixo, como se hesitasse.
- Vaelar sempre diz algo. - Ele respondeu com um sorriso enviesado, embora seus olhos buscassem os dela com atenção.
Rhaenys tocou levemente os dedos dele sobre sua barriga, entrelaçando-os. E então, baixinho, como quem sussurra uma confissão que teme ser mágica demais para o mundo:
- Ele suspeita de gêmeos.
Oberyn piscou uma vez, depois outra. E então riu. Não um riso alto ou debochado, mas um riso de pura surpresa encantada - aquele tipo de som que escapa de alguém que vê estrelas onde antes só havia escuridão.
- Dois? - Ele passou ambas as mãos pela barriga dela, como se esperasse senti-los ali, agora. - Dois, minha princesa? Dorne não está pronta para isso.
- Nem eu. - Rhaenys disse, sorrindo com suavidade.
- Eu pedi que fosse ver Vaelar. - Oberyn deslizou a mão até o lado da barriga e a beijou com reverência. - E os deuses te fizeram obedecer. Eles existem, afinal.