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O sol não nascia com vigor em Harrenhal.
A torre ainda dormia, os corredores envoltos por uma penumbra densa que os vitrais sujos não conseguiam dissipar. O silêncio reinava com autoridade, quebrado apenas pelo som oco das sandálias contra a pedra fria - passos ritmados, pacientes, como se o próprio castelo escutasse. O cheiro de sabonete de ervas do deserto, leve e cítrico, ainda pairava sobre ele, misturado ao aroma antigo das paredes úmidas.
Oberyn caminhava só, envolto por aquela quietude gasta, com os cabelos ainda úmidos colando na nuca e a camisa leve aberta até o meio do peito, revelando a pele dourada e as marcas já esmaecidas da justa.
A cesta pendia de sua mão como um presente secreto. No interior, bolinhos recém-assados exalavam calor e perfume, envoltos por um pano de algodão e um pote com pêssegos macerados em mel e cravo - memória sutil de uma conversa antiga com Rhaenys, sobre doces da infância que não a enjoavam.
Ela não vinha comendo bem. Ele percebera - e, ao contrário do que fazia com quase tudo, não ignorara.
A maçaneta rangeu ao ser pressionada, e o mundo do lado de dentro se revelou mais cálido. A luz filtrava-se entre as cortinas pesadas, dourando o ambiente com um brilho discreto, acolhedor. O som da risada de Obara cortou o silêncio, cristalina como vidro quebrado.
Ela se sentava em um pequeno banco diante da penteadeira, enquanto Rhaenys, com expressão suave e mãos firmes, trançava os fios escuros da filha.
Oberyn parou à soleira por um instante, observando a cena sem anunciar sua presença. Aquela era uma visão rara - Rhaenys com um toque sereno no rosto, os olhos baixos, a concentração absorta em um gesto maternal que ele ainda não se acostumara a ver. Obara, por sua vez, tagarelava em voz baixa, contando algo que incluía sapos, poças e um cavalo imaginário.
Rowena dobrava roupas ao fundo, ocupando-se em silêncio, mas atenta como sempre.
- Papai! - Obara notou o pai primeiro e se levantou num salto, a trança ainda pela metade.
Ele se abaixou no mesmo instante, abrindo os braços para recebê-la. O peso da menina contra o peito o fez sorrir.
- Que história é essa de cavalo alado? - Perguntou, erguendo uma sobrancelha. - Diga que pelo menos venceu a luta contra o dragão de barro.
Obara assentiu com uma seriedade feroz.
- Venci com minha espada de madeira.
- Sempre disse que você era perigosa. - Ele murmurou, beijando o topo da cabeça dela.