Waiting for Revenge
Arsonist's Lullabye - Hozier

*ੈ✩‧₊˚༺☆༻*ੈ✩‧₊˚
O corredor ainda guardava o calor abafado das lâmpadas a óleo, respirando junto com a quietude noturna do palácio. Rhaenys fechou a porta do quarto das meninas com a ponta dos dedos, lenta como quem sela um feitiço frágil. Lá dentro, as gêmeas dormiam aninhadas uma na outra, bochechas rosadas, respiração mansa. Obara, por sua vez, dominara quase toda a cama - um pequeno furacão de cachos e pernas curtas, espalhada como se tivesse lutado bravamente contra o sono e perdido.
O cheiro de leite ainda impregnava sua camisola, quente, familiar, quase doce. Ela passou a mão por cima do tecido, numa tentativa de acalmá-lo - ou de acalmar a si mesma. Era difícil saber.
O palácio sussurrava sob seus pés: passos distantes de guardas revezando turnos, murmúrios abafados atrás de portas fechadas, o arrastar de uma cadeira que alguém recolocava no lugar. Desde o retorno de Oberyn, Dorne parecia andar na ponta dos pés - ninguém queria ser o primeiro a despertar a tempestade adormecida.
Rhaenys empurrou a porta dos aposentos deles. A chama da lamparina tremulou com o movimento, lançando sombras longas nas paredes.
Oberyn dormia.
Mas não descansava.
O corpo dele se arqueava sutilmente, como se reagisse a um golpe invisível. O maxilar travado, os dedos parcialmente fechados - segurando nada e, ao mesmo tempo, tudo. A respiração vinha curta, irregular. Um pesadelo silencioso, engolido, mantido à força dentro do peito. Isso doía mais do que qualquer grito.
Então ele despertou.
Um solavanco duro, seco - como se alguém tivesse cravado uma lança entre suas costelas. Os olhos se abriram bruscos, perdidos, buscando paredes que já não existiam, portas que não voltariam a se abrir, vozes que jamais responderiam.
Rhaenys chegou perto dele sem fazer barulho, mas com urgência.
Sentou-se na beira da cama, o colchão cedendo levemente sob seu peso.
- Oberyn... - Chamou no tom mais suave que possuía.
Ele piscou algumas vezes, tentando lembrar quem era, onde estava, em que tempo vivia. A respiração arranhava o ar.
- Foi só um sonho. - Ela murmurou, sabendo bem que não havia "só" nenhum nisso.
Ele levou uma das mãos ao rosto, apoiando-a nos olhos por um instante, como se a escuridão ali dentro fosse mais tolerável que a de sua memória.
- Eu a vi. - Conseguiu dizer, a voz um corte raso. - Eu a vi morrer de novo.
Ele não disse o nome.
Elia.
Mas o peso estava ali, suspenso na sala como fumaça.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑
Fanfiction𝕱𝖔𝖌𝖔 𝖊 𝕬𝖗𝖊𝖎𝖆 - 𝘌𝘮 𝘮𝘦𝘪𝘰 à𝘴 𝘢𝘳𝘦𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘤𝘢𝘭𝘥𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘋𝘰𝘳𝘯𝘦 𝘦 𝘰 𝘧𝘰𝘨𝘰 𝘢𝘯𝘤𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘰𝘴 𝘛𝘢𝘳𝘨𝘢𝘳𝘺𝘦𝘯𝘴, 𝘴𝘦𝘨𝘳𝘦𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘯𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘷ê𝘮 à 𝘵𝘰𝘯𝘢, 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘪𝘯�...
