LXIX

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Silences of the Journey

Turning Page - Sleeping at Last

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O relinchar dos cavalos ecoava contra as altas paredes floridas, e cada movimento parecia marcar a transição entre o esplendor de um jardim estrangeiro e a promessa do retorno às areias familiares de Dorne. Para os Tyrell, talvez fosse apenas mais uma manhã, mas para Rhaenys, havia algo de definitivo no ar, como se cada detalhe fosse um adeus velado.

Junto à carruagem que as levaria, ela se inclinava com cuidado sobre o interior acolchoado. Tyene dormia serena, os fios platinados espalhados sobre a pequena testa, a respiração ritmada como uma música baixa que apenas a mãe podia ouvir.

Ao lado dela, Nymeria não compartilhava da mesma paz: o choro inquieto enchia o espaço, sua mecha platinada despontando entre os cabelos escuros como uma chama instável.

Rhaenys passou a mão suavemente pelo rostinho da filha chorosa, em um gesto que era tanto de consolo quanto de angústia. A cada soluço, sentia como se a despedida daquele lugar ganhasse mais peso.

Rowena, ao lado, ajustava almofadas e cobertas com uma destreza silenciosa, até que, percebendo a tensão da princesa, decidiu romper o clima com um comentário leve.

- Já vejo que as duas herdaram algo de seus pais. Uma sabe dormir em qualquer campo de batalha, a outra grita até ser ouvida. - O sorriso enviesado de Rowena arrancou de Rhaenys uma pequena risada, ainda que breve.

- Se for assim, Nymeria gritará por todas nós. - Respondeu, em tom mais suave, olhando a filha inquieta com ternura.

Rowena ajeitou o corpo da menina, embalando-a por um instante, e o choro diminuiu para soluços espaçados.

- Está vendo? - Disse em voz baixa, quase conspiratória - Nem sempre é preciso força. Às vezes basta paciência.

Rhaenys a observou, um pensamento fugaz cruzando sua mente: como até nos detalhes simples a presença de Rowena se tornava indispensável. Mais que uma serva, era uma companheira, uma irmã escolhida pelo destino.

O som de passos firmes e a voz de uma criança cortaram o ar, puxando-a de volta ao pátio. Oberyn aproximava-se trazendo Obara nos braços. A menina, quase três anos, mexia-se inquieta, os olhos curiosos brilhando ao observar os cavalos.

- Não quero ir de carruagem! - Protestou a pequena, com a sinceridade feroz da infância. - Quero montar!

Oberyn arqueou uma sobrancelha, e o sorriso travesso que sempre o acompanhava surgiu de imediato.

- Montar? - Repetiu, como se refletisse seriamente sobre o pedido. - Ah, mas é claro, filha. Um corcel bravo, uma sela maior que você, e lá vai Obara, a rainha das estradas, derrubando soldados pelo caminho.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora