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O quarto parecia menor agora. O ar, espesso, como se os próprios tijolos tivessem engolido o escândalo com um suspiro surpreso. O cheiro de jasmim - que outrora impregnava os lençóis com ternura - misturava-se ao calor da vergonha recém-instalada. Rhaenys permaneceu à soleira por um instante longo demais, como uma estátua esquecida em meio ao campo de batalha.
Oberyn já vestira as calças, mas os pés ainda estavam descalços. As mãos, abertas ao lado do corpo, denunciavam sua indecisão. Ellaria se erguia devagar, puxando o vestido com a naturalidade de quem nada escondia - como se fosse apenas mais uma manhã.
Mas não era.
Rhaenys cruzou o umbral do quarto. Seus olhos estavam fixos em Oberyn, mas era como se mirassem através dele.
- E eu me perguntava, - começou ela, voz baixa, aveludada de sarcasmo - por que a bastarda de cabelos negros se veste com rendas tão finas. É porque divide o leito com meu marido. - Seus lábios curvaram-se em algo próximo a um sorriso. - Faz todo sentido agora. Deuses... como eu fui estúpida.
O silêncio que se seguiu doeu. Cada segundo parecia um prego martelado contra as costelas de Oberyn. Ele abriu a boca, como quem tentava agarrar palavras antes que elas fugissem de vez, mas tudo o que saiu foi um murmúrio rouco, inconcluso.
Ellaria puxou o tecido sobre os ombros. Não havia arrogância em seu rosto, apenas uma estranha serenidade.
- Eu não sabia que você viria. - Disse, com uma sinceridade que soava como veneno em taça de vinho. - E em Dorne... isso não é...
- Cale a boca, Ellaria. - Cortou Rhaenys, firme, como uma lâmina recém-afiada.
Foi o primeiro trincar da fachada. Pequeno, quase imperceptível, mas cruel como a primeira rachadura em porcelana antiga.
- Você é uma bastarda. - Continuou, os olhos agora voltados para ela, como se quisessem perfurar sua pele. - Uma meretriz que se deitou em meus lençóis com o meu marido. - A voz não tremeu. - Você não tem o direito de me dirigir a palavra.
Oberyn deu um passo. Pequeno. Insuficiente.
- Rhaenys... - tentou, mas seu próprio nome pareceu enroscar-se em sua garganta. O rosto dele estava pálido, pela primeira vez em muito tempo, como se o peso do que havia feito só agora tivesse pousado por completo.
Ela olhou para ele então. Como se apenas agora lembrasse que ele existia ali. E naquele olhar havia algo pior que fúria. Havia julgamento. Desprezo. Uma dor antiga que fora reciclada em armadura.