LIV

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Lilies in the Abyss

Train Wreck - James Arthur

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O som de seus passos ecoava entre as pedras do corredor, secos, apressados, como se ele quisesse esmagar a ansiedade sob as sandálias. O mármore quente de sempre parecia frio sob seus pés. O ar, espesso. Fazia dois dias que ela não lhe dirigia uma única palavra. Dois dias. E ainda assim, cada segundo pesava como se fosse aço fundido pingando dentro do peito.

A filha também se calava. Obara, com seus olhos lilases e as mãozinhas tão pequenas, passava por ele como se passasse por um estranho. E isso - isso, sim - doía como nenhuma lança jamais doeu.

Ele passava a mão nos cabelos, impaciente, a cada curva do corredor. A túnica de linho vermelho escuro colava às costas, como se até as roupas se recusassem a colaborar.

"Ela quer me punir pelo quê, exatamente?", pensou, com raiva. "Por eu ter feito o que todos em Dorne fazem? Por ter uma amante? Como se isso fosse alguma afronta digna de exílio e castigo!"

A raiva subia pela garganta feito fel. A cada lembrança do silêncio de Rhaenys, mais calor lhe tomava o rosto.

Ele, Oberyn Martell - o homem que já havia provocado príncipes em duelos, que enfrentara a fúria de senhores mais velhos com um sorriso nos lábios - estava sendo ignorado como um menino tolo. E o pior: por ela. Justo por ela.

Ele parou diante da porta do quarto que antes era o dela. A porta de madeira escura estava entreaberta. No corredor, Rowena surgia com uma bandeja nas mãos - copos vazios, um pedaço de fruta mordido. Ela se deteve quando viu Oberyn.

- Ela está acordada? - Ele perguntou, a voz carregada de urgência, mas afiada como lâmina. - Quero vê-la.

Rowena ergueu o queixo com firmeza.

- Não me parece que a princesa queira ser vista por você, senhor.

Oberyn a encarou, surpreso com a ousadia. Mas havia algo em Rowena - uma firmeza feita de aço disfarçada em seda - que sempre o impediu de tratá-la com leviandade.

Ela continuou, a voz tão polida que quase soava doce. Quase.

- Se eu tivesse lhe faltado com respeito, como vossa alteza faltou com ela, também me afastaria.

Por um segundo, o silêncio rugiu entre os dois. Oberyn cerrou os punhos. Poderia dizer algo cruel. Poderia lembrá-la de seu lugar. Mas não disse nada. Apenas virou-se e se afastou com os dentes cerrados, como se cada passo para longe fosse um golpe na própria honra.

De volta ao quarto conjugal, ele empurrou a porta com força. O quarto estava vazio - e ainda assim, pesava.

A cama ampla, de cortinas douradas, agora parecia fria demais. Os lençóis estavam esticados, como se nunca tivessem sido tocados. O cheiro de Rhaenys ainda pairava no ar, mas era só um eco. O quarto que antes pulsava com vida agora parecia um templo abandonado.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora