Flower and Ashes
Hold On - James Arthur

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O último trecho da Campina se estendia diante deles como um lençol de ouro bordado em verde. O sol, já em declínio, tingia os campos floridos com tons de cobre e lavanda, como se o mundo houvesse decidido, por fim, oferecer beleza sem exigência.
As flores silvestres balançavam sob a brisa fresca, e os cavalos pisavam sobre a terra macia com a docilidade típica das boas estradas. Era o fim da jornada. Mas para Rhaenys Targaryen, nada parecia terminar.
A cada solavanco da sela, seu corpo protestava com mais insistência. Respirava com esforço, como se o ar fosse escasso ou pesado demais. As costas ardiam em pontos que ela não sabia mais nomear, e os tornozelos latejavam como se carregassem grilhões invisíveis. Sua barriga, enorme, projetava-se à frente como um altar de sacrifício, e qualquer movimento - por mais simples - a fazia se sentir à beira de um abismo.
Sete meses de gravidez. Mas os gêmeos pareciam querer ocupar mais do que espaço: ocupavam seu fôlego, seus ossos, seus pensamentos.
Ela se manteve ereta na sela apenas por orgulho. Tinha ordens para ser levada de liteira nos últimos trechos, mas recusara. Queria ver o horizonte. Queria ver com os próprios olhos onde recomeçaria.
Nem mesmo os campos pacíficos da Campina conseguiam distraí-la. Havia rosas, lírios, margaridas - um mar de cores suaves a perder de vista. Mas dentro de si, só existia ruído. O silêncio de Lançassolar ainda a acompanhava, e com ele o eco do que não foi dito. Azia. Náuseas. Dores agudas que nasciam na base da coluna e subiam como punhais.
Nada parecia estar em paz.
- Tô com saudade dos gatinhos do jardim. - Disse uma vozinha ao seu lado, quebrando o silêncio.
Obara estava emburrada. O rosto redondo se escondia parcialmente sob o capuz claro, e as mãos pequenas apertavam com força o tecido das roupas, como se tentasse segurar o mundo.
- Também sinto falta deles, minha flor. - Respondeu Rhaenys, com esforço.
- E do papai.
O golpe veio manso, mas certeiro. Rhaenys não respondeu de imediato. Inspirou o ar perfumado da Campina como quem engole veneno com mel. Seus olhos, antes voltados para o pôr do sol, agora se fixavam nas mãos da filha. Tão pequenas. Tão leais.
- Eu sei. - Disse, por fim. - Mas você está comigo. E isso basta por agora, não é?
Obara hesitou, o cenho franzido. Mas assentiu. Como se entendesse que o mundo dos adultos era uma bagunça que ela ainda não precisava arrumar. Como se, na dúvida, ficasse com a mãe - sempre com a mãe.
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𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑
Fanfiction𝕱𝖔𝖌𝖔 𝖊 𝕬𝖗𝖊𝖎𝖆 - 𝘌𝘮 𝘮𝘦𝘪𝘰 à𝘴 𝘢𝘳𝘦𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘤𝘢𝘭𝘥𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘋𝘰𝘳𝘯𝘦 𝘦 𝘰 𝘧𝘰𝘨𝘰 𝘢𝘯𝘤𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘰𝘴 𝘛𝘢𝘳𝘨𝘢𝘳𝘺𝘦𝘯𝘴, 𝘴𝘦𝘨𝘳𝘦𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘯𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘷ê𝘮 à 𝘵𝘰𝘯𝘢, 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘪𝘯�...
