Return to the Sun
Ends of the Earth - Lord Huron

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O sol morria devagar sobre Lançassolar, derramando ouro líquido nas muralhas alaranjadas. As sombras se estendiam longas, silenciosas, enquanto o ar carregava aquele perfume de sal e areia que só Dorne conhecia. Os guardas pararam. Os servos murmuraram. Alguns curiosos ergueram a cabeça - como se vissem um fantasma atravessar os portões.
Oberyn caminhava como quem desafia a própria morte. Mancava, o peso do corpo oscilando; a poeira grudada na pele misturava-se ao sangue seco que riscava o rosto sob a barba crescida. Os soldados atrás dele pareciam espectros: feridos, exaustos, cada um carregando seu próprio pedaço de tragédia. Mas ninguém ousou falar. O silêncio caminhava com eles.
O vento do deserto soprou, áspero, fazendo o príncipe cerrar os olhos. Por um instante, quase pareceu que o deserto o recebia - mas nem a areia quente podia aliviar o peso que ele trazia no peito. Nada podia.
Quando entrou no palácio, os ecos das botas - ou do que restava delas - ressoaram pelo chão de pedra. Os servos curvaram a cabeça; alguns dos conselheiros se apressaram para cumprimentá-lo, mas ele passou por todos como uma lâmina. Cada olhar de pena cortava mais fundo do que os ferimentos.
A sala de reuniões o aguardava, iluminada pela luz dourada que atravessava as janelas altas. Doran estava no centro, apoiado na bengala, o robe pesado ajustado aos ombros como se tentasse manter o próprio mundo no lugar. Ao lado dele, Anders Yronwood, de expressão pétrea; um mestre grisalho; mais dois conselheiros que pareciam encolher diante do clima que antecedia a tempestade.
Oberyn entrou sem anunciar-se. A porta bateu atrás de si.
- Príncipe Oberyn. - Começou Anders, fazendo uma reverência curta. - Dorne lamenta. - Ele ergueu uma mão. Um gesto seco, estéril de qualquer cortesia.
Silêncio.
Doran respirou fundo, procurando a voz certa, o tom certo, o irmão certo.
- Finalmente decidiu voltar. - Disse ele, com a serenidade trincada por baixo da superfície.
Oberyn riu. Um som baixo, quase um estalo, cheio de areia e amargura.
- Voltar? - Repetiu, inclinando a cabeça. - Eu não "decidi" nada, Doran. Eu voltei porque mataram a nossa irmã. Porque mataram nossos sobrinhos. Porque queimaram a capital e cuspiram no nome de Dorne.
Deu um passo à frente, e o ranger de dor escapou de sua garganta. Seu olhar encontrou o do irmão, quente como ferro recém-saído da forja.
- E você - continuou, a voz rouca, vibrando de fúria contida - ficou aqui. Sentado. Observando o mundo ruir como se fosse um jogo de cyvasse.
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𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑
Fiksi Penggemar𝕱𝖔𝖌𝖔 𝖊 𝕬𝖗𝖊𝖎𝖆 - 𝘌𝘮 𝘮𝘦𝘪𝘰 à𝘴 𝘢𝘳𝘦𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘤𝘢𝘭𝘥𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘋𝘰𝘳𝘯𝘦 𝘦 𝘰 𝘧𝘰𝘨𝘰 𝘢𝘯𝘤𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘰𝘴 𝘛𝘢𝘳𝘨𝘢𝘳𝘺𝘦𝘯𝘴, 𝘴𝘦𝘨𝘳𝘦𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘯𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘷ê𝘮 à 𝘵𝘰𝘯𝘢, 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘪𝘯�...
