LIII

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Debris

All I Ask - Adele

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O quarto repousava em um silêncio denso, quebrado apenas pelo sussurro das cortinas bailando sob a brisa quente do fim de tarde. A luz que atravessava as janelas era suave e âmbar, como mel escorrido pelas frestas, pintando as paredes com sombras longas e acolhedoras. Havia uma paz têmpera ali, quase ilusória, como a pausa entre duas ondas prestes a se chocar.

Rhaenys despertou lentamente, os olhos pesados, ardendo. A cabeça doía num latejar abafado, como se cada pensamento fosse um golpe de tambor contra o crânio. Os lábios estavam secos, a garganta, apertada. O corpo, ainda trêmulo pelas horas anteriores, parecia ter afundado em um mar de pedras. Mas ela estava viva. Ainda.

Obara dormia ao seu lado, o pequeno corpo aninhado contra o dela, um bracinho repousando sobre a barriga tensa. A mão miúda, morna e confiada, repousava bem sobre o coração. Isso a quebrou de um jeito diferente. Com delicadeza. O tipo de dor que não vinha com gritos, mas com um suspiro contido e um beijo murcho no topo da cabeça da filha.

Fechou os olhos por um instante. Apenas para sentir. O cheiro de Obara, ainda com traços do leite que tomara pela manhã. O peso sutil do bebê que se mexia dentro dela, como se soubesse. Como se respondesse. A vida seguia, mesmo no caos. Mesmo quando ela sentia que tinha morrido um pouco naquele quarto.

Abaixo, no chão, Rowena dormia encostada em Edric, a cabeça dela no ombro dele, os dedos entrelaçados como se fossem assim desde sempre. Ele, porém, não dormia. Estava acordado, pensativo. O olhar distante, mas calmo. Havia uma quietude nele que a surpreendeu, como um livro que ela achava que já conhecia, mas descobria uma nova página.

Ela se moveu, tentando se sentar. O gesto fez com que Obara murmurasse algo e voltasse a se aconchegar. Edric notou o movimento e, com cuidado, deslizou o corpo para não acordar Rowena. Cobriu-a com uma manta antes de se erguer e ir até Rhaenys.

- Como você está? - Perguntou ele, baixinho, como se as palavras fossem veludo.

Ela piscou, encarando-o com olhos vermelhos, mas sem lágrimas.

- Cansada. - Sua voz era pouco mais que um fio. - Como se tivesse lutado com um urso-negro e perdido.

Ele sorriu com suavidade.

- Mas está sentada. Isso é um começo.

Ela soltou um riso breve, trincado.

- O que aconteceu depois que... depois que eu apaguei?

Edric se sentou ao lado dela, com as mãos entre os joelhos.

- Você dormiu. Por horas. Obara ficou preocupada... não queria se afastar. Só se acalmou quando permitiram que deitasse com você. Rowena a ajudou. Disse que era o tipo de coisa que só o colo de mãe cura.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora