LXIV

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The Flower and the Sun

The Conflict of the Mind - Aurora

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O sol nascera generoso sobre Highgarden, lançando sobre os jardins um dourado tão límpido que parecia inventado para aquele instante. O ar trazia o perfume doce das flores, misturado ao frescor das fontes que murmuravam ao longe.

Era como se a própria terra se recusasse a lembrar que, em outros cantos de Westeros, o mundo ardia em pólvora e sangue.

Entre as roseiras e as trepadeiras carregadas de cores, o silêncio só era quebrado por um leve chilrear de pássaros e pelo som delicado da respiração de duas crianças adormecidas.

Rhaenys repousava numa cadeira de espaldar alto, o corpo ainda ressentido da dor recente, mas suavizado pelo repouso que os dias lhe trouxeram. Seus cabelos platinados, soltos, reluziam ao sol como fios de prata trançados pela própria luz da manhã. Diante dela, em berços improvisados, Nymeria e Tyene dormiam em perfeita confiança, os rostos serenos como se nada pudesse ameaçá-las.

A cada tanto, uma das pequenas se movia, erguendo as mãozinhas como quem sonha com algo invisível. Rhaenys se inclinava, com ternura, para ajeitar um pano, afagar uma testa, corrigir a posição de um brinquedo de madeira - simples, tosco até, mas feito com devoção pelas mãos de Edric.

O gesto era quase automático, instintivo, e revelava uma doçura que não precisava de palavras. Ela mesma parecia não notar como o olhar se enternecia, como o corpo inteiro se inclinava em direção às filhas, num movimento de cuidado que era mais instinto que escolha.

Era um retrato de calma, de uma vida que poderia ser ordinária, se não fosse a carga que carregava em cada fibra do nome que herdara.

Rowena, sempre discreta, estava próxima. Sentada num banco baixo, estendia os braços quando uma das meninas exigia mais que o aconchego do berço, embalando-a com paciência.

Seus olhos corriam vez ou outra para Rhaenys, buscando aprovação muda, e sempre encontravam um aceno leve de cabeça ou um sorriso cansado. Não havia pressa ali; o tempo parecia ter diminuído os passos para acompanhá-las.

Um pouco mais afastados, à sombra de um caramanchão coberto de heras, Edric e Oberyn conversavam. Rhaenys os escutava apenas em fragmentos, como quem ouve o murmúrio de um rio sem desejar atravessá-lo. Falavam de espadas, de caçadas, de histórias da terra natal - Oberyn descrevia os desertos de Dorne com a mesma intensidade com que Edric, risonho, falava das florestas do Oeste.

Era um contraste curioso: o calor das areias e o frescor das colinas verdes postos lado a lado, como se até ali o mundo insistisse em lembrar que tudo estava dividido.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora