LXXIII

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Echoes of the Throne

Ashes - Céline Dion

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O calor da tarde permanecia preso entre as pedras do quarto, como se até o ar relutasse em mover-se. Lá fora, o som distante das ondas se dissolvia no silêncio, um silêncio tão denso que parecia ter forma - e peso.

Rhaenys estava sentada à escrivaninha, o rosto meio voltado para a janela aberta. Um raio de luz dourada tocava-lhe a pele, e o suor formava pequenas pérolas ao longo da nuca. Diante dela, o pergaminho permanecia imóvel, o selo lilás já partido.

Ela observou-o por longos instantes, como se ainda pudesse voltar no tempo antes de romper a cera. O papel exalava um cheiro sutil de viagem: poeira, cavalo, sol. Aquele tipo de odor que sempre anunciava notícias - e, quase nunca, boas.

Com um gesto vacilante, Rhaenys o puxou para perto. Os dedos trêmulos seguraram as margens. Inspirou devagar, buscando força onde já não havia.

"Minha princesa, escrevo com o peso de notícias que jamais desejei carregar."

As palavras pareciam desenhar-se no ar, mais nítidas que a própria tinta. O olhar dela se perdeu nelas, e por um momento o som do mar desapareceu.

"O príncipe Rhaegar caiu no Tridente. Dizem que enfrentou Robert Baratheon em combate singular - e perdeu."

O pergaminho tremeu em suas mãos. Rhaenys não percebeu o instante exato em que deixou de respirar. O nome do irmão - o nome que fora orgulho e dor, farol e sombra - agora pesava como pedra dentro do peito. Viu-o em sua mente, sob a chuva do rio, a armadura reluzindo como prata partida.

Rhaegar, o dragão que cantava.
Rhaegar, que acreditava em canções.

Ela ergueu a mão para os lábios, mas nenhum som saiu.

"As portas de Porto Real se abriram aos Lannister sob promessa de aliança. Mas ao entrarem, o leão mostrou os dentes."

Um arrepio lhe percorreu a espinha. O nome Lannister trazia lembranças confusas - o riso de Tywin nas reuniões do conselho, o olhar frio de Cersei nas vezes em que estavam em Casterly Rock. "Mostrou os dentes." As palavras soavam quase elegantes, quase brandas. Mas Rhaenys sabia o que significavam.

As linhas seguintes estavam borradas, como se o autor da carta também houvesse tremido. Ela passou os olhos, o coração golpeando o peito em ritmo descompassado.

"A princesa Elia e seus filhos... não sobreviveram ao saque."

Rhaenys deixou o pergaminho cair.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora