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Porto Real nunca soubera esperar em silêncio.
Havia sempre o rangido distante de rodas sobre pedra, o bater de estandartes contra o vento vindo da Baía da Água Negra, o sussurro constante de vozes que não queriam ser ouvidas - e, acima de tudo, a expectativa. Aquela sensação incômoda de que algo estava prestes a dar errado... ou pior: dar certo demais para alguém.
Tyrion Lannister apoiava-se na balaustrada do pátio externo da Fortaleza Vermelha, observando o vaivém organizado - excessivamente organizado - que antecedia a chegada da comitiva dornesa. Servos alinhavam tapetes. Guardas ajustavam lanças. Um septão ensaiava uma reverência profunda demais para alguém que ainda não havia chegado.
Casamentos reais tinham esse efeito: transformavam homens experientes em crianças nervosas e faziam do caos uma arte coreografada.
- Dorneses. - Murmurou Tyrion, girando o vinho na taça. - Sempre pontuais quando não convém.
Foi então que Edric Lannister surgiu ao seu lado, postura reta demais para alguém que crescera cercado por intrigas. Manto dourado impecável. Olhos atentos. Não o olhar ansioso de um mensageiro - mas o cuidado de quem carrega informações que podem sangrar.
- Primo, onde está o príncipe Oberyn? - Perguntou Tyrion, sorrindo com aquela expressão estudada de curiosidade casual. - Ou devo supor que foi engolido por alguma serpente particularmente rancorosa no caminho?
Edric inclinou levemente a cabeça, um gesto pequeno, mas deliberado.
- Não lhe informaram?
Tyrion ergueu uma sobrancelha.
- Normalmente, quando algo importante acontece neste castelo, fazem questão de me informar por último.
- A princesa Rhaenys e o príncipe Oberyn chegaram mais cedo.
O mundo não acabou.
Mas, por um breve e precioso segundo, pareceu considerar a ideia.
Tyrion piscou uma vez. Depois outra. Levou a taça aos lábios apenas para ganhar tempo - um truque antigo, útil e subestimado.