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At the Gates of Fire

Hurt - Johnny Cash

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O sol nascia em faixas longas e douradas sobre os campos do Reach, dissolvendo a névoa que repousava como véu sobre a relva úmida. O cavalo de Oberyn bufava, a respiração quente formando nuvens breves no ar frio da manhã. As ferraduras batiam contra o chão em um ritmo constante - toc, toc, toc - quebrando o silêncio quase sagrado que precede o dia.

O príncipe ergueu o olhar para o horizonte e, por um instante, acreditou ver ao longe as torres cobertas de hera de Highgarden. Era ilusão, claro. Os muros já deviam estar muito atrás, e ainda assim... a imagem persistia. Era como se o castelo o observasse de longe, guardando o eco de uma despedida que ele não queria ter deixado acontecer.

O vento trazia o cheiro doce das flores do campo - um perfume que, de algum modo, lhe lembrava Rhaenys. O modo como ela o olhara antes da partida, com aquele equilíbrio raro entre força e ternura, voltava-lhe à mente sem que pudesse impedir. O toque das mãos dela sobre suas costas, o peso do olhar, o pedido que não fora um comando, mas uma súplica: "Tenha cuidado."

Por um momento, Oberyn fechou os olhos e viu o rosto dela na luz pálida da manhã. E junto a ele, vieram as lembranças pequenas - as que mais ferem.
O choro de Nymeria, o sono sereno de Tyene, o riso de Obara correndo em volta da carruagem, tentando convencer Rowena de que já era grande o suficiente para montar sozinha. Ele quase podia ouvir as risadas infantis, o murmúrio das mulheres, o ranger distante das rodas de madeira.

Sacudiu a cabeça.
Era cedo demais para se deixar abater pela distância.

Atrás dele, o som dos cascos dos outros cavalos se aproximou. O capitão da pequena escolta - Sor Nyles Uller - emparelhou o cavalo ao dele. Era um homem robusto, com o rosto queimado de sol e olhos atentos.

- Príncipe, - disse, com o tom respeitoso de quem não ousa quebrar o silêncio sem permissão - manteremos a rota principal até o entroncamento de Bitterbridge?

Oberyn manteve os olhos na estrada, as rédeas firmes nas mãos. - Sim. - A resposta veio sem hesitação. - Chegaremos mais rápido se não desviarmos.

- Há quem diga que algumas estradas estão sendo vigiadas. - O cavaleiro ponderou, ajustando o elmo. - Bandoleiros, desertores... e homens que vestem brasões apagados.

Oberyn arqueou uma sobrancelha, o traço de um sorriso surgindo. - Homens que precisam de coragem para me enfrentar, talvez.

Sor Nyles inclinou a cabeça, sem discutir. O príncipe de Dorne, mesmo com poucos homens, parecia irradiar uma segurança que dispensava prudência. Ainda assim, o olhar dele se manteve no horizonte, como se avaliasse todos os riscos que poderiam surgir de um campo aparentemente pacífico.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora