LVII

60 12 0
                                        

Melancholic Blue

Melancholic Blue - Ivana Wonder

*ੈ✩‧₊˚༺☆༻*ੈ✩‧₊˚

O sol mal havia rompido entre as colinas aveludadas da Campina, mas já escorria dourado pelas torres de Highgarden, tingindo os telhados de âmbar e o horizonte de uma calma enganosa.

A brisa era suave - cheirava a jasmim e terra molhada - mas, ainda assim, o ar parecia pesar sobre os ombros de Rhaenys como uma capa invisível.

Fazia duas semanas desde que ela deixara Lançassolar. Duas semanas de uma nova rotina, novos rostos, novos silêncios. O tempo em Highgarden não curava - apenas se estendia, elástico, como um entorpecente elegante demais para causar escândalo, mas potente o suficiente para enterrar a dor sob camadas de hábito.

Ela caminhava pelos jardins do castelo com passos lentos e espaçados. O vestido claro - largo, de tecido suave - balançava com o vento, mas os tornozelos inchados mal se moviam.

A respiração era curta, como se o próprio ar se recusasse a se acomodar entre seus pulmões. A barriga, proeminente e redonda como a lua cheia, parecia pesar mais a cada dia. Os gêmeos não dormiam, nem a deixavam dormir.

Dores nas costas, azia, enjoos que vinham como ondas. O corpo cedia, mas o espírito... o espírito ainda resistia. Porque alguém precisava resistir. Alguém precisava carregar o mundo.

- Cuidado com as pedras soltas, princesa. - Disse Rowena, aproximando-se com um sorriso gentil, mas preocupado.

- O mundo inteiro parece estar solto ultimamente. - Respondeu Rhaenys com um meio sorriso, a mão apertando a lombar.

À frente, Edric Lannister estendia a mão para Rowena, ajudando-a a subir um pequeno degrau de pedra. Um gesto simples, mas havia ternura demais na forma como os dedos se entrelaçaram.

Ela riu de algo que ele disse, e ele, sempre tão senhor de si, desviou o olhar, ruborizado. Caminharam juntos entre as roseiras, em um silêncio cúmplice que dispensava testemunhas.

Rhaenys os observou com uma pontinha de dor. Havia algo de bonito ali, algo limpo, sem as camadas de caos e desconfiança que marcavam suas próprias memórias. Um tipo de amor que florescia sem pedir licença, como se dissesse: "Estamos aqui. E basta." Ela não sabia se já tivera aquilo. Talvez com Willas, uma vez. Talvez nunca.

Obara corria pelo jardim central com Loras e Margaery. Margaery, delicada como uma pétala, oferecia-lhe uma boneca de pano vestida com flores secas. Loras, orgulhoso, tentava equilibrar um graveto como se fosse uma espada de cavaleiro.

Obara ria - e aquele som, aquela risada tão pequena e tão cheia de vida, fez o coração de Rhaenys doer mais do que qualquer palavra dita nos últimos tempos.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora