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Blood and Dawn

Bring Me to Life - Evanescence

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A madrugada em Highgarden era serena, perfumada pelas últimas flores da noite, mas em seus corredores interiores, algo se despedaçava em silêncio.

O primeiro suspiro veio com um sobressalto. Rhaenys despertou como quem emerge de um pesadelo sem forma. Os lençóis estavam úmidos, colados ao seu corpo, e o ar parecia denso, espesso como névoa de sal.

A dor era um fio contínuo, primeiro discreto - um puxão tenso no baixo ventre, como mãos invisíveis pressionando os ossos. Mas logo crescia, como se tomasse consciência da própria existência. Latejava nas costas, irradiava pelas coxas, e apertava o ventre como ferro em brasa.

Ela apertou os olhos e respirou fundo, tentando não gemer. A madrugada ainda não havia terminado, e o quarto estava envolto em sombras azuladas, filtradas pelas cortinas finas. Ao lado, a cadeira onde Rowena costumava adormecer estava vazia. Talvez ela tivesse ido buscar água, ou...

Um som de passos apressados. A porta se abriu, e lá estava ela - a jovem dama de cabelos castanhos, envolta em um manto leve e com o rosto alarmado.

- Princesa... -A voz saiu baixa, mas firme. - A senhora está com dor?

Rhaenys assentiu lentamente, os olhos vidrados no teto. O suor escorria pelas têmporas, e as mãos apertavam o lençol como se tentassem espremer a dor entre os dedos.

- São diferentes, Rowena. Não como antes... estão ritmadas. Não param.

A jovem não hesitou. Saiu apressada, e voltou com um servo, que logo desapareceu em busca do meistre de Highgarden.

Apenas alguns minutos se passaram, mas pareceram uma eternidade. Rhaenys mudou de posição com dificuldade. Sentia o ventre pesado como pedra, os tornozelos inchados e formigando, o estômago revolto.

Uma náusea antiga despertou em sua garganta - a mesma que conhecia desde os primeiros meses, mas agora mais agressiva, mais bruta. Como se o corpo, ciente do que viria, começasse a se despir de todo o resto.

Logo, a porta rangeu. O meistre entrou com a lentidão dos que sabiam que cada passo tinha peso. Um homem alto, de barba curta e grisalha, olhos claros e serenos como o céu antes da tormenta.

Trazia um estojo de couro pendurado à cintura, onde repousavam instrumentos que já tinham conhecido muitas mulheres em seus partos, e algumas que não sobreviveram a eles.

- Meistre Rheomar. - Rhaenys murmurou com dificuldade, o suor escorrendo agora pela nuca.

- Princesa. - Ele fez uma reverência leve, e seu olhar pousou sobre ela com a ternura reservada aos que não podem fugir da dor. - Contaram-me de suas contrações. Permita-me examiná-la.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora