What remains
Work Song - Hozier

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O calor de Dorne o recebeu antes mesmo que os portões se abrissem por completo.
Não era o calor agressivo de Essos, que castigava a pele como um desafio constante, nem o frio traiçoeiro do Mar Estreito, que se infiltrava nos ossos durante noites sem sono. Era um calor antigo, quase doméstico. Um abraço rude, mas honesto. O tipo de calor que não pede licença porque sabe que pertence ali.
Oberyn desmontou com um cuidado que não teria tido anos antes. Não por fraqueza - jamais - mas por economia. O corpo ainda respondia, ainda era arma, ainda sabia matar se preciso fosse. O cansaço vinha de outro lugar. Dos olhos sempre abertos. Das mãos nunca completamente relaxadas. De meses olhando o mundo como quem espera uma lâmina surgir de qualquer sombra.
Poucos guardas o acompanhavam. Rostos marcados pela mesma travessia longa, pela mesma vigilância silenciosa. Entre eles, Edric.
O rapaz havia mudado. Não no porte - ainda ereto demais para alguém que fingia desinteresse -, mas no olhar. Havia nele uma firmeza nova, menos impetuosa, mais consciente. Braavos ensinava isso: que sobreviver não é apenas lutar, é saber quando não lutar.
O pátio surgiu diante deles como uma lembrança materializada.
A água corria nas fontes com aquele som constante que nunca era silêncio, mas também nunca era ruído demais. O cheiro de pedra aquecida, de frutas maduras, de sal trazido pelo vento distante do mar. As colunas projetavam sombras familiares, e por um instante Oberyn teve a sensação desconcertante de que nada havia mudado.
Era mentira, claro. Tudo muda. Até o que permanece.
- Papai!
A voz veio antes do impacto.
Obara surgiu correndo, pequena demais para tanta confiança, espada de madeira erguida como se estivesse prestes a desafiar um exército inteiro. Cinco anos e nenhuma dúvida no passo. Oberyn mal teve tempo de se ajoelhar antes que ela colidisse contra ele, rindo, falando rápido demais, contando histórias que se atropelavam umas às outras.
Ele já enfrentara homens armados.
Três meninas correndo em sua direção ainda eram mais perigosas.
Nymeria e Tyene vieram logo atrás, tropeçando nos próprios pés, como se o mundo fosse grande demais para suas pernas.
- Papá! - Disse uma.
- Papi! - Corrigiu a outra, orgulhosa do erro.
Oberyn as ergueu sem esforço, uma em cada braço, sentindo o peso que nenhum inimigo jamais lhe impusera. O riso delas não perguntava onde ele estivera. Não cobrava explicações. Apenas existia, inteiro, como se os meses de ausência fossem um detalhe irrelevante.
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𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑
Fiksi Penggemar𝕱𝖔𝖌𝖔 𝖊 𝕬𝖗𝖊𝖎𝖆 - 𝘌𝘮 𝘮𝘦𝘪𝘰 à𝘴 𝘢𝘳𝘦𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘤𝘢𝘭𝘥𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘋𝘰𝘳𝘯𝘦 𝘦 𝘰 𝘧𝘰𝘨𝘰 𝘢𝘯𝘤𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘰𝘴 𝘛𝘢𝘳𝘨𝘢𝘳𝘺𝘦𝘯𝘴, 𝘴𝘦𝘨𝘳𝘦𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘯𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘷ê𝘮 à 𝘵𝘰𝘯𝘢, 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘪𝘯�...
