LV

76 12 1
                                        

The Fall of the Viper

Empty Space - James Arthur

*ੈ✩‧₊˚༺☆༻*ੈ✩‧₊˚

O sol de Lançassolar invadia o quarto sem pedir licença - lâminas douradas atravessando os vitrais, recortando sombras no chão de pedra. A luz não era suave, não era gentil. Era a luz de Dorne: forte, abrasiva, honesta.

Oberyn estava de pé, diante do espelho de bronze polido, vestindo-se com movimentos metódicos. As mãos puxavam as fitas do cinturão com mais força do que o necessário. Ajeitou o manto escarlate sobre os ombros, apertou as correias das botas como se cada nó fosse uma sentença.

Seus olhos ardiam. Talvez de sono, talvez de raiva.

- Ela acha que pode me ignorar para sempre... - Rosnou, mais para si do que para qualquer outro ouvido. - Pois bem. Hoje ela vai me ouvir.

A mandíbula cerrada. Os dedos tamborilando contra a adaga.

- Que venha com toda sua altivez Targaryen. Que traga consigo a fúria das tempestades, das asas de dragões mortos. Que traga os dentes, as garras. Não me importa. - O olhar no espelho era uma lâmina embainhada, vibrando, prestes a saltar. - Não vou deixá-la me tratar assim.

Ele respirou fundo, ajeitou o colar de ouro no pescoço.

- Se ela acha que sou só mais um homem que se curva... está enganada.

Oberyn caminhou até a mesa baixa, onde uma taça de vinho repousava desde a noite anterior. Pegou-a, girou o líquido vermelho com os dedos, como se aquele vinho fosse uma tempestade em miniatura, prestes a transbordar. Não bebeu.

Ensaia, no silêncio sufocado do quarto, os argumentos que levaria até ela como se fossem lanças.

- Quer me acusar? Pois acuse-se também, minha mulher. Você sabia quem eu era quando me quis. - As palavras saíam afiadas, como se fossem treinar o caminho até o coração dela. - Sabia de cada pedaço meu. Dos meus desejos, da minha liberdade. E me aceitou assim.

O punho bateu de leve sobre a mesa, os nós dos dedos ficando brancos.

- Quer me ferir? Então saiba... - fechou os olhos, respirou fundo - ...saiba que você não é feita de vidro, Rhaenys. Você também errou. Errou ao achar que podia me moldar. Errou ao tentar enfiar o Sol de Dorne dentro de uma jaula prateada.

Pegou o anel que havia deixado sobre o aparador e o colocou no dedo com mais força do que pretendia.

Oberyn saiu do quarto como quem atravessa um campo de batalha. Os passos firmes reverberavam pelas pedras quentes do solar. O vento trazia o cheiro de sal, de areia e de flores ressecadas pelo calor.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora