LXXI

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The Ringing of the Bells

Journey to the Line - Hans Zimmer

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O sol nascera pálido, filtrando-se entre as torres da cidade como um espectro cansado. Oberyn cavalgava em silêncio pelas ruas estreitas de Porto Real, e o som das ferraduras contra o chão de pedra parecia mais alto do que deveria - ecoava em meio a um vazio estranho, inquietante. Não havia o burburinho habitual dos mercados nem o cheiro doce e enjoativo de pão fresco. Apenas fumaça distante, e o murmúrio do vento arrastando poeira e cinzas pelas esquinas.

Os portões da Fortaleza Vermelha erguiam-se à sua frente, escurecidos pelo tempo e pela fuligem. Os guardas, que costumavam portar o brasão da Casa Targaryen com orgulho, agora mantinham os olhos baixos. Quando o viram se aproximar, endireitaram-se num sobressalto nervoso - não pelo respeito, mas pelo medo.

- Príncipe Oberyn Martell, de Dorne - anunciou Sor Nyles, a voz firme apesar do cansaço.

O soldado hesitou. Oberyn viu o tremor em suas mãos antes que erguesse o portão. Lá dentro, o pátio estava quase vazio. Alguns servos carregavam baldes de água e pilhas de lenha, mas evitavam se encarar. O ar era denso, pesado, como se algo invisível pairasse sobre o castelo.

Oberyn desmontou lentamente, entregando as rédeas a um jovem escudeiro que o observava como quem vê um presságio. O príncipe olhou em volta - reconhecia aqueles muros, mas havia neles um silêncio novo, perigoso.

Um servo mais velho se aproximou, a voz baixa e trêmula.
- Vossa Graça... o rei... o rei não foi visto desde o entardecer de ontem. Alguns dizem que ele trancou-se com os piromantes... outros, que partiu para os subterrâneos.

Oberyn ergueu uma sobrancelha.
- Então o dragão se esconde nas sombras. Que belo símbolo para um rei.

O homem desviou o olhar, como se temesse ser punido apenas por ouvi-lo. Oberyn, porém, já seguia adiante, os passos firmes sobre o mármore frio do salão principal. As tapeçarias estavam empoeiradas; os candelabros, queimando baixo. Cada corredor exalava abandono.

Quando o viu, Aerys II parecia uma sombra de si mesmo. Estava curvado no trono, os cabelos longos e sujos pendendo sobre o rosto. Os olhos, febris e injetados, brilharam ao reconhecer o visitante.

- Dorne envia uma de suas víboras... - a voz do rei era um sussurro arranhado, mas carregava veneno. - Sua esposa ainda é tão insolente quanto era quando estava aqui? Ou a vergonha já a calou?

Oberyn permaneceu imóvel. Por dentro, o sangue fervia, mas seus olhos mantiveram-se calmos - duros como vidro.

- Minha esposa é mais digna que muitos tronos, Majestade. Inclusive o seu.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora