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O entardecer descia como uma névoa dourada sobre Lançassolar, mas no quarto de Oberyn Martell não havia cor, nem luz. As janelas estavam cerradas, abafando o calor seco do deserto e prendendo dentro do aposento um cheiro agridoce de vinho barato, suor e desordem.
Garrafas vazias, copos quebrados, roupas largadas pelo chão de mármore. O travesseiro ainda tinha o contorno de uma cabeça que não repousava ali havia semanas.
Oberyn estava afundado em sua própria ruína — sentado à beira da cama, com as costas curvadas, o olhar perdido no chão. A barba começava a cobrir o maxilar com desleixo, os cabelos crescidos caiam soltos sobre a testa, e os dedos longos seguravam com firmeza um cálice meio cheio. Ou meio vazio.
A roupa estava amassada, desalinhada, com manchas de vinho na barra da túnica. Ele não se lembrava da última vez que havia comido algo que não fosse empurrado garganta abaixo com goles generosos de álcool. Dormir, ele também não dormia.
Ao fechar os olhos, o rosto dela surgia — como um feitiço torto e cruel. A expressão de dor. A repulsa. A voz firme cortando o ar como aço: — Eu te odeio, Oberyn Martell.
Ele apertou os olhos, buscando afastar o som da memória. Levou o copo aos lábios, mas hesitou. O gosto... já não era gosto. Era anestesia. E mesmo isso começava a falhar.
Desde que Rhaenys partira, nenhuma mulher lhe pareceu suficiente. Tentou. Tentou preencher a ausência com corpos mornos, com sorrisos fáceis, com a promessa de prazer imediato. Mas era mecânico, vazio. O toque de outras mãos só fazia ecoar o que ele perdera. E o que perdera... sangrava.
Rhaenys. A mulher que ele chamava de sua. A única que jamais se curvou a ele — e, por isso mesmo, a única a quem ele verdadeiramente pertencera.
E Obara.
Ele fechou os olhos por um instante. A imagem da filha veio como uma brisa ardente. Os olhos violetas, o cabelo desgrenhado, os pés descalços correndo pelo pátio... Chamando por ele.
— Papai, olha! Papai, vem ver! O som do riso. A ausência do riso. O quarto vazio onde ela costumava dormir.
Ele não ousava escrever. Não por orgulho — mas por medo. Medo de ver a letra dela no envelope, fria e formal. Medo de que ela não permitisse que a carta chegasse à filha. Medo de que... Obara esquecesse dele.
A mão que segurava o copo tremeu. Ele o pousou sobre a mesa com mais força do que gostaria. O vinho espirrou na madeira.
Havia um frasco novo na escrivaninha, lacrado com cera escura. Por um instante, Oberyn o encarou como se fosse um inimigo antigo. Tão familiar. Tão desprezível.