XLIX

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Beautiful Things

Cherry Wine - Hozier

O calor de Dorne era um velho conhecido

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O calor de Dorne era um velho conhecido. Ele se insinuava por entre as cortinas abertas da carruagem como um sopro vivo - abrasador, denso, mas familiar. Rhaenys fechou os olhos por um instante, permitindo-se respirar fundo, quase como quem volta à superfície depois de muito tempo submersa. Sentia-se exausta, sim, mas também havia alívio em estar ali.

Como se, ao cruzar novamente os portões de Lançassolar, tivesse deixado para trás uma sombra que há muito a seguia.

Ainda assim, algo nela permanecia inquieto.

Do lado de fora, a claridade dornesa estalava como uma joia ao sol. A pedra alaranjada das muralhas cintilava, e o ar quente carregava consigo o perfume das flores do deserto - especiarias, sal, terra quente. Ao longe, o som dos estandartes se agitando ao vento compunha a trilha sonora de um retorno inesperadamente solene.

Doran aguardava na entrada principal, com as mãos entrelaçadas diante do corpo, postura ereta, mas marcada por sua conhecida suavidade. Os olhos fundos, o semblante atento.

Ao seu lado, Mellario erguia o queixo com um tipo de altivez que nunca beirava arrogância - sua beleza severa era moldada por inteligência e orgulho, e quando sorriu ao ver Rhaenys, o gesto foi sincero.

- Estávamos esperando por vocês. - Disse Mellario, com um sotaque ainda carregado das Terras Verdes, seus olhos percorrendo o rosto cansado da princesa com afeto genuíno.

Antes que Rhaenys pudesse responder, um pequeno corpo escapou por entre os guardas e correu na direção da carruagem, os pés descalços tocando a pedra quente do chão.

- Rhae! Rhae! - gritava Arianne, a voz fina de criança atravessando o pátio. As tranças negras dançavam enquanto ela corria, e os braços se estendiam em direção à tia com um entusiasmo que desarmava qualquer coração.

Rhaenys desceu com o cuidado de quem carrega mais do que si mesma. Assim que os pés tocaram o chão, Arianne já se atirava em seu abraço, enterrando o rosto na barriga arredondada da princesa.

- Pelos Sete... como você cresceu. - Murmurou Rhaenys, passando a mão pelos cabelos da menina.

- Você demorou. - Acusou Arianne, com um beicinho encantador, sem largar o abraço.

Oberyn surgiu logo depois, afastando suavemente os panos da carruagem. Tinha o olhar atento, mas o semblante sereno. Obara dormia em seu colo, os dedos miúdos ainda agarrados ao tecido da túnica do pai.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora