XLV

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Silence at Harenhall

I Know Places - Lykke Li

I Know Places - Lykke Li

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O silêncio no quarto era quase tão espesso quanto as pedras negras de Harrenhal. Nenhuma tapeçaria cobria aquelas paredes antigas, como se os fantasmas que ali habitavam fizessem questão de se lembrar de cada palavra não dita, cada lágrima contida. O sol da tarde filtrava-se com dificuldade pelas nuvens pesadas que cobriam o céu, lançando uma luz pálida sobre o rosto de Elia Martell.

Ela estava sentada à beira do leito, os ombros ligeiramente curvados, as mãos repousando sobre o colo, entrelaçadas com força demais. Seu perfil, voltado para a janela alta, parecia esculpido em mármore. Uma lágrima descia lenta por sua bochecha, mas ela não se mexia. Era como se até mesmo o gesto de enxugá-la exigisse uma energia que já lhe havia sido tomada.

Rhaenys entrou sem anunciar sua presença com palavras. Caminhou até o centro do aposento com passos cuidadosos, como quem teme romper um feitiço frágil. As botas calaram-se sobre o tapete bordado com espirais florais. Parou a uma distância respeitosa, observando a cunhada por alguns instantes antes de falar.

- Elia.

A voz saiu mais baixa do que esperava. Quase um sussurro. Ainda assim, a mulher junto à janela piscou lentamente, como se apenas aquele som fosse suficiente para deslocar seu mundo.

Rhaenys hesitou por um momento, então se aproximou e sentou-se ao lado dela. O colchão cedeu sob seu peso. Estendeu a mão, mas parou no meio do caminho. O gesto pairou no ar por um instante antes de pousar com suavidade sobre a mão fria de Elia.

- Ele não podia ter feito isso - murmurou Elia, finalmente, a voz embargada, mas firme. - Não diante de todos. Não quando... - Ela suspirou, fechando os olhos. - Não quando prometeu que tudo seria diferente.

Rhaenys apertou sua mão com ternura.

- Você não precisa se explicar.

Por um tempo, nenhuma das duas disse nada. Apenas o vento soprou lá fora, batendo contra as vidraças com um lamento suave, como se o próprio castelo chorasse com Elia.

- Rhaegar é... complicado - disse Rhaenys, por fim. - Sempre foi. Vive mais nas músicas e nas profecias do que entre as pessoas. Às vezes acho que ele se esquece de que também machuca quando escolhe quem será a musa de sua próxima canção.

Elia soltou um som breve, uma risada sem alegria.

- Ele costumava cantar para mim. Nos primeiros meses. - Sua voz falhava, mas não cedia ao choro. - Eu pensava que isso bastava.

Rhaenys abaixou os olhos. Havia algo de cruel em reconhecer-se nas palavras da outra mulher.

- A gente sempre pensa que vai bastar. - Ela inspirou fundo, observando os fios bordados na manga do próprio vestido. - Até perceber que... amar alguém não é o mesmo que ser amada de volta do jeito certo. Do jeito que a gente merece.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora