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O silêncio de Highgarden tinha um peso próprio naquela hora tardia. Os corredores, sempre vibrantes durante o dia, pareciam agora recolhidos em reverência ao descanso da fortaleza. Apenas o estalar discreto das tochas, consumindo-se nas paredes de pedra, acompanhava o som contido dos passos de Rhaenys. Cada passo ecoava de forma suave, como se a própria noite buscasse guardar segredo de sua caminhada.
O frio que serpenteava pelos arcos e galerias não era agressivo, apenas um sopro constante que lembrava estar longe do calor abrasador de Dorne. A brisa que se insinuava pelas frestas fazia-lhe arrepiar a pele, mas também trazia uma lucidez que a impedia de retroceder.
Rhaenys caminhava sem pressa, mas sem hesitar — cada metro percorrido era mais uma confirmação da decisão que não teria ousado tomar dias atrás.
O peso da carta de Varys ainda ardia em sua mente, como se cada palavra estivesse gravada em ferro. Revelações, conselhos, advertências — tudo parecia ter despertado nela uma necessidade inevitável de confronto, não com o inimigo distante, mas com aquele que estava ao alcance da mão.
Oberyn.
Pensar no nome era como invocar uma chama. Durante tanto tempo, deixara-o à margem de suas resoluções, fosse por orgulho, fosse por dor. Agora, porém, o silêncio não a acalmava, apenas a corroía. Sabia que não poderia repousar sem vê-lo, sem testar a força de uma ponte que temia ter queimado.
As tapeçarias que se desenrolavam pelas paredes, iluminadas pelo laranja vacilante das tochas, pareciam observá-la com olhos antigos. O brasão Tyrell — rosa dourada em campo verde — repetia-se a cada curva, lembrando-a de onde estava, mas também de quão distante estava do que sempre considerara lar.
Ali, em terras que não eram suas, buscava um homem que era mais próximo de fogo e veneno do que de qualquer raiz que pudesse oferecer segurança.
Parou diante da porta. A madeira maciça, reforçada por aros de ferro, parecia mais imponente na quietude da noite. Um obstáculo simples e, ao mesmo tempo, decisivo. O coração lhe bateu forte, como se quisesse anunciar sua presença antes que ela ousasse fazê-lo. Inspirou fundo, sentindo o frio da pedra nas costas quando se deteve, e ergueu a mão.
Os nós dos dedos tocaram de leve a superfície, produzindo um som discreto, quase tímido, mas suficiente para quebrar a fronteira entre espera e decisão. Imaginou, com estranha certeza, que ele estaria acordado.
A madeira rangeu quando a porta se abriu, revelando o homem por trás dela. Oberyn surgiu envolto pela penumbra, apenas a luz trêmula das tochas no corredor delineando os contornos de seu rosto. Os olhos, sombrios e penetrantes, demoraram um instante a se ajustar à visão de Rhaenys à sua frente. A surpresa que lhe atravessou o semblante não foi exagerada, mas clara o bastante para denunciá-lo.