Path of Ashes
Falling Like the Stars - James Arthur

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O calor em Lançassolar era mais brando naquele fim de manhã, como se até o sol tivesse cansado de arder. O céu permanecia alto, límpido, com apenas uma ou duas nuvens preguiçosas deslizando rumo ao horizonte. O vento seco que cortava os jardins internos parecia sussurrar um lamento antigo, percorrendo os corredores com a familiaridade de quem conhecia cada pilar, cada mosaico, cada suspiro não dito entre as pedras quentes.
Oberyn atravessava o pátio devagar.
Vestia-se como sempre - túnica solta, botas de couro flexível, o cinto com punhais ornamentais pendendo no quadril. Por fora, nada havia mudado. Mas o ritmo dos passos denunciava o que ele não ousava confessar nem aos próprios espelhos. O andar, antes ágil e determinado, arrastava-se com um peso novo - como se cada pedra sob seus pés exigisse uma decisão que ele não sabia mais tomar.
Ele havia ficado sóbrio.
Não por escolha, mas porque o vinho já não o entorpecia como antes. Não havia prazer. Nem fuga. Nem alívio. Beber se tornara um gesto vazio, e ele havia cansado dos vazios que ele mesmo criava.
Seguiu por entre as colunas, até que algo o deteve - um som, uma lembrança.
Risos.
Risos infantis. Gargantas pequenas e vozes agudas que preenchiam o ar com uma alegria tão genuína que doía.
Oberyn parou.
Entre as folhas de laranjeiras e as palmeiras de troncos trançados pelo tempo, uma fonte burburilhava no coração do jardim. Ao seu redor, seis ou sete crianças corriam em círculos, jogando pequenas flores umas nas outras, enquanto criadas as observavam com um descuido confortável.
Uma delas...
Uma garotinha de cabelos muito escuros. Soltos, selvagens como se o vento fizesse morada neles. Corria descalça sobre a grama dourada pelo calor, girando como se quisesse voar. Vestia um vestido vermelho que dançava com ela - simples, leve, mas vibrante, como uma labareda em miniatura.
A visão o acertou como uma lâmina curta, enfiada devagar entre as costelas.
Oberyn parou junto a uma mureta de pedra, a mão apoiada como quem precisa de amparo. Não conseguia afastar os olhos da criança.
Obara também tinha um vestido vermelho. Rhaenys dizia que ela parecia feita de chamas.
Naquele tempo - e parecia outro tempo, de outro homem - ela ainda corria livre pelos mesmos jardins. Tinha o sorriso inteiro. A confiança intacta. A alma leve o bastante para dormir nos braços dele, para chamá-lo de pai sem hesitar.
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𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑
Fanfiction𝕱𝖔𝖌𝖔 𝖊 𝕬𝖗𝖊𝖎𝖆 - 𝘌𝘮 𝘮𝘦𝘪𝘰 à𝘴 𝘢𝘳𝘦𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘤𝘢𝘭𝘥𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘋𝘰𝘳𝘯𝘦 𝘦 𝘰 𝘧𝘰𝘨𝘰 𝘢𝘯𝘤𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘰𝘴 𝘛𝘢𝘳𝘨𝘢𝘳𝘺𝘦𝘯𝘴, 𝘴𝘦𝘨𝘳𝘦𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘯𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘷ê𝘮 à 𝘵𝘰𝘯𝘢, 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘪𝘯�...
