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Oberyn estava de pé, os braços cruzados sobre o peito, mas o resto do corpo traía o que o gesto tentava esconder. A mandíbula cerrada, os ombros tensos, os olhos escuros fixos na figura descomposta do rei. Cada palavra proferida por Aerys era como um prego cravado em madeira velha - barulhento, incômodo, grotesco.
O salão reservado à comitiva real era frio e amplo, de janelas altas e paredes gastas pelo tempo, como tudo em Harrenhal. À luz das velas, os vitrais pareciam sangrar cores opacas, refletidas nos rostos dos que ali estavam - uma coleção de silhuetas quebradas:
Rhaella sentada com a postura vencida, o jovem Viserys distraído, brincando com os próprios dedos; Elia quieta, as mãos apertadas no colo, os olhos vermelhos; Rhaegar, rígido como uma estátua grega à beira do colapso; Rhaenys ao lado dele, imóvel - mas Oberyn já a conhecia bem o suficiente para ver o desconforto escondido sob o véu da serenidade.
E no centro, como um ator em um palco sombrio, estava Aerys. O rei. O pai. O louco.
- Meus dois filhos - começou ele, a voz mais rouca que o habitual, como se a insanidade tivesse escavado suas cordas vocais. - Um insulto ao meu nome. Um estandarte rasgado pela vergonha.
Oberyn não se moveu, mas sua respiração mudou. Ele já ouvira muitas histórias sobre a língua do rei, mas nada o preparara para a forma como Aerys parecia se deliciar ao cuspir veneno. Como se cada ofensa fosse um brinde à própria loucura.
- Uma puta - disse, o tom impregnado de prazer cruel. O dedo apontou como uma lança em direção a Rhaenys. - Que espalha bastardos e desonra o sangue da minha casa...
Elia vacilou. Oberyn viu o pequeno estremecer em seus ombros, a forma como ela desviava o olhar, como se quisesse desaparecer sob o manto vinho. Ele viu também Rhaella, que fechou os olhos lentamente, como quem rezava para acordar em outro lugar, em outro tempo. Viserys não compreendia, mas olhou para a irmã com a confusão inquieta das crianças que sentem a tensão sem nomeá-la.
Oberyn sentiu o calor subir pelo corpo. A mão já estava no punho do punhal quando Aerys continuou, virando-se com um movimento teatral em direção a Rhaegar:
- ...e agora você. Rendido a uma nortenha qualquer, como um cão no cio.
O silêncio que se seguiu foi uma lâmina. Rhaegar não respondeu de imediato. Seus olhos estavam fixos em algum ponto entre o trono improvisado e o chão de pedra. Quando falou, sua voz era baixa, mas firme:
- Não permitirei que fale assim de minha irmã, nem de Lyanna.