LXI

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Time and Blood

Out of Love - Alessia Cara

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O mundo retornou em fragmentos -
primeiro, o som abafado de vozes masculinas, ríspidas, cortando o silêncio como lâminas velhas; depois, uma dor surda no ventre, que não doía tanto quanto o peso nos ossos.

As palavras não chegavam limpas.
Era como ouvir por trás de uma parede espessa de água e sono.

- Não me interessa se você sangrou metade do caminho até aqui, ela não está em condições de receber ninguém. - A voz de Willas, tensa, carregava uma fúria contida, o tipo de raiva de quem cuida.

- E você acha que tem o direito de me dizer o que fazer com a minha mulher? - Veio a resposta, mais baixa, mas cheia de uma ameaça silenciosa.

Oberyn.

A palavra formou-se em sua mente como um pensamento distante, não dito. Ele estava ali. De verdade. E ela... não sabia o que sentir.

- Senhores, por favor... - A voz de Edric soou abafada, exausta, como se estivesse implorando mais por sanidade do que por silêncio.

O ar do quarto era espesso de emoções - havia perfume de lavanda misturado ao sangue já seco nos lençóis, à papoula leve ainda agindo em suas veias, e à presença de algo mais antigo que tudo isso: a urgência de continuar viva.

Rhaenys não abriu os olhos ainda, mas sentia o mundo se reorganizando ao redor do seu corpo frágil.
Uma pequena mão tocou a dela - dedos pequenos, firmes, quentes.

Obara.

A filha estava ali, sentada ao lado da cama, os olhos arregalados de preocupação. Mas havia um leve brilho neles - um brilho que não via desde os tempos tranquilos de Lançassolar.

A menina sorria com hesitação, como se só agora estivesse respirando de verdade.

Ao lado, Edric, com o semblante pálido sob os cabelos dourados desalinhados, embalava uma das gêmeas com notável delicadeza.
Os olhos dele - olhos que sempre pareceram mais velhos do que o rosto jovem permitia - estavam fixos no bebê, e havia ternura neles. E cansaço. E algo parecido com amor.

- Ela tem olhos diferentes... - Ele dizia em voz baixa, falando com Obara, mas talvez mais consigo mesmo. - Um lilás e um castanho. Como se o céu e a terra tivessem discutido quem ficaria com ela... e empataram.

Rowena estava de pé, um vulto de autoridade. O outro bebê nos braços, envolta em sombras e luz matinal. Os cabelos presos às pressas, as mangas manchadas com vestígios do parto.

- Ela acabou de parir duas crianças. Duas! Tenham um pouco de respeito. Se vão brigar, façam isso longe das filhas dela. - A voz soou como aço polido. Fria, mas justa.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora