LXXIX

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Future Prepared

Arrival of the Birds - The Cinematic Orchestra

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Oberyn acordou antes do sol.

Não foi um despertar brusco - nada de sobressaltos, nada de fantasmas puxando-o para fora do sono. Apenas a consciência lenta retornando ao corpo, como a maré que sobe sem ruído. O quarto ainda estava envolto naquele silêncio espesso das primeiras horas, quando até os pássaros parecem respeitar o descanso alheio.

Rhaenys dormia aninhada contra o peito dele.

O braço dela cruzava-lhe a cintura com naturalidade antiga, como se sempre tivesse pertencido ali. O rosto, meio escondido contra sua clavícula, respirava com calma - longa, profunda, segura. Havia algo quase sagrado naquele abandono: a mulher que já sustentara um dragão nos braços dormia tranquila, confiando o mundo inteiro ao ritmo do coração dele.

Oberyn não se moveu de imediato.

Ficou ali, atento aos pequenos sinais: o subir e descer do peito dela, o calor morno que se espalhava sob os lençóis, o peso exato de um corpo que não precisava vigiar. Com cuidado, inclinou o rosto e depositou um beijo leve demais para acordá-la - um roçar de lábios na têmpora, depois outro junto à linha do cabelo. Não havia urgência. Só presença.

A madeira do quarto estalou baixinho quando ele respirou fundo.

Foi então que seus olhos se desviaram.

O berço improvisado repousava perto da parede, simples, feito às pressas - madeira clara, firme, honesta. Dentro dele, envolta em panos leves, dormia a menina. Nove meses de vida concentrados num punho fechado, na curva suave da bochecha, nos cílios escuros que projetavam sombras delicadas sobre a pele.

Elia.

O nome nunca fora discutido em voz alta. Não houve cerimônia, nem explicação longa, nem necessidade de justificar o peso que carregava. Apenas acontecera. Como certas verdades que não pedem permissão para existir.

A criança se mexeu de leve, soltando um som quase indignado antes de se acomodar novamente. Oberyn sorriu, um sorriso pequeno, contido, que não alcançou os lábios por completo - mas aqueceu o olhar. A menina puxara a ele: os traços mais escuros, a presença firme mesmo no sono. Continuidade Martell, viva e respirando.

O mundo, pensou, cabia naquele quarto.

Um ranger distante - talvez o vento tocando as janelas, talvez o próprio navio do tempo seguindo adiante - atravessou o silêncio. Oberyn ajustou o braço em torno de Rhaenys, trazendo-a um pouco mais para perto. Ela murmurou algo inaudível, a testa franzindo por um instante, antes de relaxar outra vez.

𝕱𝖎𝖗𝖊 𝖆𝖓𝖉 𝕾𝖆𝖓𝖉 - 𝕺𝖇𝖊𝖗𝖞𝖓 𝕸𝖆𝖗𝖙𝖊𝖑𝖑Onde histórias criam vida. Descubra agora