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As flores de Highgarden não tinham perfume naquela manhã.
Oberyn seguia em silêncio pelos corredores longos, quase labirínticos, de pedra clara e tapeçarias bordadas. As vinhas bordadas nas paredes se entrelaçavam com espadas e escudos em imagens coloridas, mas nada ali o distraía do peso que se arrastava entre seus ombros — nem mesmo o som ritmado da bengala de Willas Tyrell, que caminhava à frente, firme, frio, obstinadamente mudo.
O castelo todo parecia composto de luz, de jardins com fontes sussurrantes e corredores inundados de claridade dourada. Mas Oberyn via o frio. Sentia o gelo onde não havia vento.
Willas não o olhou sequer uma vez. Nem ao entrar, nem ao andar, nem ao parar.
E então pararam.
Uma porta de madeira escura, sem brasão nem detalhe, ergueu-se diante deles. Um batente estreito. Um quarto isolado.
— Este será o seu quarto. Fique à vontade para partir quando quiser. — Disse Willas, com a mesma indiferença de quem indicaria uma cela.
Oberyn não respondeu de imediato. Passou os olhos pela maçaneta gasta, pela ausência de qualquer coisa que denunciasse hospitalidade. Nenhuma jarra de vinho do lado de fora. Nenhuma flor nos peitoris. Nem mesmo um brasão bordado na porta. Nada.
“Ela pediu para ele me deixar aqui?”
“Não… esse quarto está longe demais do dela. Foi ideia dele.”
Empurrou a porta com calma. Lá dentro, o cômodo era limpo, arejado, com lençóis brancos bem esticados e um cobertor cinza. A lareira estava apagada. Um manto simples sobre a cadeira. Uma mesa nua. O silêncio era absoluto.
Oberyn atravessou o limiar. Pisou com cautela, como se adentrasse terreno inimigo.
Willas ficou na porta, imóvel, apenas observando.
— Nem vinho? — Disse o dornês, sem virar o rosto.
— Não imaginei que teria tempo para beber. — Respondeu Willas, com a voz baixa, firme. — Achei que estivesse aqui por outras razões.
Oberyn sorriu de lado. Um sorriso que nada tinha de diversão. Um sorriso gasto.
— Você a viu. Sabe o estado em que ela estava.
— Vi. — Respondeu Willas, seco. — E isso só reforça tudo que penso sobre você.
O silêncio desceu de novo. Não como um véu, mas como uma lâmina.