Capítulo 54

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"Com cada pequeno desastre

Deixarei as águas se acalmarem

Leve-me a algum lugar real

Porque dizem que lar é onde o coração se grava em pedra

É onde você vai quando está sozinho"


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Any continuava alheia a tudo ao seu redor, apenas gritava e chorava, chamando por Poncho, que sequer se movia no colo dela dela e não parava de sangrar. Suas mãos, muito trêmulas, não desistiram de tentar estancar o sangramento, em um ato desesperado de quem não tinha nada a fazer e via o homem que amava morrendo em seus braços. Os gritos dela se misturavam com o som de tiro e sirenes no local.

Any: Você prometeu que não ia me deixar - Ela repetia sem parar.

Pedro: Os médicos estão chegando, dona Anahí, fica calma! - Alguns seguranças já cercavam o carro há algum tempo, mas ela sequer tinha visto.

De repente, as luzes azuis e vermelhas entraram no carro como em uma cena de pesadelo. Os paramédicos se aproximaram correndo.

Paramédico: Senhora, precisamos tirá-lo daí agora. Me ajude, com cuidado!

Ela hesitou por um segundo antes de permitir que eles levassem Alfonso da sua proteção. Os braços de Any estavam cobertos de sangue. Seus olhos, em pânico, não desgrudavam dele enquanto o transferiam para uma maca. Um policial se aproximou para falar com ela junto com Pedro, mas ela só conseguia repetir as mesmas palavras.

Any: Ele levou o tiro por mim! Por mim...

Enfermeira: Venha comigo, está muito nervosa - Se aproximou e a envolveu pelas costas.

Any: Não! Eu quero ir com ele, quero ficar com ele! - Respondeu depressa, enquanto não tirava os olhos de Alfonso.

Enfermeira: Tudo bem, você pode ir. Mas tome um pouco de água, respire, ele será bem cuidado.

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Dentro da ambulância, as mãos de Any seguravam a de Alfonso, desacordado sobre a maca. O tiro no abdômen deixava marcas visíveis de sangue escorrendo pelo tecido da camisa. Um dos paramédicos pressionava a ferida enquanto outro monitorava os sinais vitais.

Paramédico: Ele ainda tem pulso forte. Está lutando! - Falou, tentando acalmá-la.

Any: Era pra mim.. Ele me protegeu... - Dizia com a voz embargada, enquanto pressionava os dedos dele com força. Queria mostrar que ele não estava sozinho.

Os olhos de Any, vermelhos, fixavam no rosto de Alfonso como se o chamasse de volta.

Any: Não me deixa, por favor, fica comigo. Eu te amo! Te amo muito...

A ambulância freou bruscamente em frente ao hospital. As portas se abriram e a equipe correu para dentro com a maca. Anahí tentou acompanhá-los, mas foi contida gentilmente por uma enfermeira.

Enfermeira: Senhora, preciso que aguarde aqui, ele será levado diretamente para o Centro cirúrgico.

Any: Mas ele precisa de mim! Precisa saber que estou aqui.

Enfermeira: Assim que der você terá notícias.

Suas pernas cederam e ela caiu de joelhos no corredor, com os olhos fixos nas portas que se fecharam atrás da equipe médica. O chão estava frio, e o silêncio após o barulho da correria foi ensurdecedor.

Pedro: Como a senhora está? - O segurança de confiança se aproximou, tinha chegado logo atrás da ambulância.

Any: Vocês tinham que ter impedido isso! Como deixaram isso acontecer? - Ela gritava - Ele confiou em vocês! - Falava sem conseguir se levantar, enquanto as lágrimas voltavam a cair.

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