Capítulo 59

176 9 4
                                        

Alguns dias depois, Poncho estava sentado na cama do hospital, vestindo uma camisa leve e com os pontos já cicatrizando sob o curativo. De repente, seus olhos viraram para a porta no exato momento em que ela se abriu e Any entrou, sorrindo, segurando uma pequena mochila com os pertences dele.

Any: Pronto pra fugir comigo? - Perguntou, com ternura.

Poncho: Só se for pra nunca mais voltar pra cá. - Respondeu com brilho nos olhos.

Ela caminhou até ele, que segurou a mão dela e a levou até os lábios.

Poncho: Se eu tô indo embora hoje, é por sua causa. E pela Lorena. Vocês são minha força.

Como se tivesse sido chamada pelos pensamentos, Lorena apareceu atrás de Any, carregando um desenho colorido nas mãos. Nele, Alfonso estava deitado numa cama, com ela e Anahí ao lado, formando um coração em volta.

Lorena: Papai! - Ela correu até ele - O médico disse que você é forte igual heroi. Mas eu já sabia!

Ele a abraçou com cuidado, fechando os olhos, como se aquele gesto curasse qualquer dor que ele ainda pudesse sentir.

Poncho: Meu maior poder é ter vocês.

Any se aproximou e os envolveu num abraço. E por um instante, naquele quarto que tanto conhecia a dor, morava apenas a paz.

Any: Lo, vamos ali comigo falar com a enfermeira?

Poncho: Vão me abandonar? - Falou, dramático.

Any: Rapidinho, amor. Ela foi tão incrível, eu quero ir pessoalmente agradecer.

Poncho assentiu, sorrindo, e foi calçar os sapatos enquanto elas saiam. Alguns minutos depois, alguém bateu na porta.

Bernardo: Licença. - Entrou devagar.

Poncho: Olá, doutor. -Ele deu um fraco sorriso.

Bernardo: Já tá preparado para fugir antes da papelada? - Reparou.

Poncho: Achei que você fosse me prender aqui por mais uns dias.

Bernardo se aproximou cauteloso, com as mãos nos bolsos do jaleco. Ele observou o paciente por um instante, mas não era um simples paciente. Era o homem que sobreviveu, que lutou e que Any escolheu amar.

Bernardo: Você é teimoso. Mas tem sorte. E..  um coração mais forte do que qualquer exame poderia mostrar. -Falou sincero e tranquilo.

Poncho olhou para ele. Havia ali uma pequena tensão, não de rivalidade, mas de uma verdade que os dois conheciam.

Poncho: Obrigado... por tudo. Sei que você foi o grande responsável por eu ter conseguido - Reconheceu o esforço do médico.

Bernardo assentiu, respirou fundo, e percebeu que precisava tirar algo que estava no fundo de seu peito.

Bernardo: Eu a amei - Fez uma pequena pausa - Mas o amor de verdade é aquele que se alegra ao ver o outro feliz. E ela sorri diferente com você. Ela é luz quando está com você.

Poncho abaixou os olhos, tocado pelas palavras. Ele não esperava ouvir aquilo, muito menos daquela forma, com tanto respeito e grandeza.

Poncho: Ela te admira muito, Bernardo. Confia em você. Você foi mais que um médico.

Bernardo sorriu, agora mais leve, como quem realmente havia se libertado de algo.

Bernardo: Cuide bem dela, Alfonso. E da Lorena também. O mundo precisa de mais famílias como a de vocês.

Perderme en tiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora