No dia seguinte, pela manhã, Alfonso estava deitado, porém mais desperto. Seu semblante estava tranquilo enquanto observava a vida lá fora através da janela, embora o corpo ainda sentisse os efeitos do tiro.
Any estava ao seu lado, na poltrona, quando a porta se abriu suavemente, e Maite entrou primeiro, sorrindo ao ver que ele estava acordado.
Maite: Licença..
Any: Oi, Mai! Entra... - Falou, com um sorriso.
Logo atrás dela, Padre Christian entrou, com seu jeito alegre e acolhedor. Mas naquela manhã, seus olhos carregavam algo diferente: uma emoção contida, antiga. Ele se aproximou e tocou o ombro de Alfonso com carinho.
Chris: É bom te ver de pé... ou quase - disse com leveza, mas havia peso em sua voz.
Any, que segurava a mão de Alfonso, sorriu para os dois. O clima era de reencontro, de gratidão. Depois de algumas palavras leves, risos baixos e atualizações sobre o estado de saúde de Poncho, veio o silêncio. Aquele tipo de silêncio que anuncia que algo importante será dito.
Christian puxou uma cadeira e se sentou. Seus olhos encontraram os de Alfonso. Ele respirou fundo.
Chris: Você é um heroi, eu admiro a forma como você e a Any foram corajosos... Ela pra largar uma vida de internato para viver um amor e você por protegê-la acima de tudo, até da sua própria vida.
Maite e Any se olharam, entendendo o que havia por trás daquelas palavras. Poncho apenas escutava, curioso. Christian resolveu continuar.
Chris: Há muito tempo... há algo que guardo dentro de mim. Algo que poucas pessoas sabem - disse, olhando de relance para Maite, que assentiu com um leve gesto. Ele respirou fundo e continuou - E hoje, vendo você aqui, lutando pela vida, eu senti que era hora.
Alfonso o observava com atenção, com o olhar calmo. Anahí apertou sua mão, incentivando Christian a continuar.
Chris: Quando eu era mais jovem... já me preparava para ser padre, convicto da minha fé, da minha vocação. Mas no meio do caminho, conheci alguém. Um homem. E por ele, meu mundo se desequilibrou.
Maite baixou os olhos, emocionada.
Chris: Nós nos envolvemos. Foi amor... de verdade. Não uma aventura escondida, não uma tentação. Foi amor. Mas a pressão, o medo, a culpa... e a escolha. Eu escolhi o caminho da fé - ele baixou os olhos por um instante - e deixei aquele amor para trás.
Alfonso não disse nada, mas seus olhos estavam marejados.
Chris: Anos depois, ele adoeceu. E morreu. Sozinho. Eu nunca estive lá. Nunca me despedi. Carrego isso comigo todos os dias. Rezo por ele. Rezo por mim.
A emoção tomou o ar, densa, tocante. Christian continuou:
Chris: Por isso, talvez, sempre fui tão protetor com vocês. Com o amor de vocês. Rezei para que a Any e você tivessem uma chance. Que não deixassem que o medo decidisse por vocês. Porque eu sei o que é perder por medo.
Alfonso estendeu a mão livre e a apoiou sobre a de Christian.
Poncho: Obrigado... por confiar isso a mim. E obrigado por estar com ela. Eu sei que você nunca a deixou sozinha - disse, com a voz embargada.
Anahí se aproximou mais da cama, limpando discretamente uma lágrima.
Any: Vocês dois... Maite, Christian... foram minha força quando tudo parecia desabar. Quando o Alfonso estava entre a vida e a morte, e eu não sabia se ele ia voltar pra mim, vocês ficaram. Me ajudaram a respirar. A suportar.
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Perderme en ti
FanfictionEla viveu em silêncio. Ele sobreviveu à dor. Agora, juntos, vão redescobrir o amor. Alfonso é um empresário bem-sucedido, mas carrega nos olhos o luto por sua falecida esposa. Vive cercado de luxo, mas sente-se vazio por dentro. Anahí, uma noviça de...
