Capítulo 60 - Penúltimo

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🎶 Para teu amor, eu tenho tudo

Desde meu sangue até a essência de meu ser

E para teu amor que é meu tesouro

Tenho minha vida toda inteira a teus pés 🎶

Naquele dia, Any resolveu ficar para dormir na casa Poncho, afinal, tinham muito o que comemorar agora que Paulo iria pagar por todos os seus crimes e eles finalmente poderiam viver sem medo. Dulce e Ucker jantaram com eles e depois Any e Poncho dormiram abraçados, sentindo a paz que aquela nova fase lhes trazia.

Quando amanheceu, o cheiro do café recém-passado se misturava com o perfume doce de Anahí, que terminava de arrumar a mesa da varanda. Alfonso estava sentado, olhando-a como se fosse uma obra de arte, algo que ele nunca se cansaria de admirar.

Any: Poncho...- Ela cruzou os braços e o observou, desconfiada - Para de me olhar assim.

Ele sorriu, aquele sorriso torto, preguiçoso, que ela amava.

Poncho: Assim como? - Fingiu inocência, mesmo sabendo exatamente do que ela estava falando.

Any desviou o olhar, mas sem conseguir segurar o sorriso.

Any: Desse jeito. Com cara de quem tá tramando alguma coisa.

Ele respirou fundo e apoiou a mão no peito, que ainda doía um pouco, mas nada se comparava ao que ele sentia por ela.

Poncho: E se eu tiver mesmo? - respondeu, deslizando lentamente o olhar por cada detalhe dela, dos cabelos soltos ao short curto que ela usava.

Any riu, balançando a cabeça. Caminhou até ele, se abaixou e segurou o rosto dele com as duas mãos.

Any: Você não tem noção do quanto eu... te amo. E do quanto eu tô tentando ser forte. - Ela mordeu o lábio, olhando nos olhos dele. - Mas você me olha desse jeito... e eu esqueço até seu prontuário médico.

Poncho segurou as mãos dela, apertando de leve.

Poncho: Ninguém sofre mais do que eu, Any - A voz saiu rouca, carregada de desejo. - Você tem noção do que é acordar com você assim... andando pela casa, com essas pernas de fora... esse cabelo lindo solto... e saber que eu não posso fazer nada?

Ela ficou pensativa por alguns segundos e depois respondeu.

Any: Se preferir, eu me cubro inteirinha de novo, igual quando você me conheceu. - Sugeriu, tentando segurar o riso.

Poncho: Não, alerta de gatilho... vou querer arrancar tudo em dois segundos.

Ela sorriu, mordendo o lábio, provocante.

Any: Então, paciência... quem te mandou levar um tiro, amor?

Ele arregalou os olhos, fingindo indignação.

Poncho: Desculpa, doutora. Na próxima, eu aviso pro bandido mirar na perna.  - Os dois riram juntos.

O clima mudou no segundo seguinte. A risada virou silêncio. O silêncio virou suspiro. E suspiro virou aquele olhar... aquele que queima, que fala mais do que qualquer palavra.

Any deslizou os dedos pelo queixo dele, depois pela nuca, até puxá-lo suavemente para um beijo. Um beijo que começou doce, mas logo ficou carregado de desejo, necessidade, saudade do que os dois tanto queriam, mas sabiam que ainda não era a hora.

Ele puxou ela pela cintura, como podia, até ela sentar no colo dele, com cuidado. As mãos dele seguraram firmemente suas coxas, e ela apertou os ombros dele, consciente da cicatriz ainda recente, mas incapaz de parar. Só pararam quando o ar já lhes faltava.

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