Capítulo 56

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Na manhã seguinte, a casa de Poncho ainda estava silenciosa. Lorena estava sentada à mesa da sala, com uma folha grande à sua frente, espalhando lápis de cor por todos os lados. Ela desenhava com a língua entre os dentes, os olhos atentos. O desenho mostrava um homem deitado em uma cama, cheio de tubos, mas sorrindo. Ao lado dele, uma menina segurando sua mão. E, acima, um coração gigante com as palavras rabiscadas com cuidado:

"Papi, fica bom logo. Eu te amo."

Dulce a observava com o coração apertado, até que se aproximou.

Dulce: Ele vai amar, meu amor. Isso aqui tem mais poder do que qualquer remédio. -Falou, acariciando os cabelos da menina.

Lorena sorriu tímida, segurando o desenho com carinho.

Lorena: A Any pode levar pra ele?

Dulce: Claro. Ela falou que estava vindo aqui, depois vai voltar para o hospital.

Lorena: Vou dar para ela então. - Ela deu um fraco sorriso, começando a juntar os lápis de cor em seguida.

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Any foi ver Lorena, ficou um pouco com ela, tomou um banho e tentou descansar, mas estava impossível conseguir dormir. Logo resolveu voltar ao hospital.

Ao chegar, entrou pela recepção com passos decididos, mas o coração em alerta.

Ela foi direto até a ala da UTI, onde um dos médicos já a esperava.

Ricardo: Anahí, boa tarde... Queria te encontrar assim que chegasse.  O Alfonso passou uma noite estável, não teve mais febre. O quadro ainda é grave, mas pela primeira vez desde a cirurgia, tivemos um sinal animador.

Any: Qual sinal? - Perguntou, ansiosa.

Ricardo: Ele teve uma pequena resposta reflexa. Movimentou levemente a mão quando a enfermeira trocou o curativo. E os sinais vitais estão um pouco mais fortes hoje. É pouco, eu sei... mas é um bom começo.

Ela levou as mãos à boca, com os olhos marejando de esperança.

Any: Posso vê-lo?

O médico assentiu com um leve sorriso.

Minutos depois, Any entrou na UTI. Alfonso ainda estava sedado, ligado a monitores e tubos, mas... algo nele parecia menos frágil.

Ela se aproximou devagar, segurando um papel em suas mãos trêmulas.

Any: Oi meu amor - Ela beijou a mão dele com carinho - Olha o que sua princesa fez pra você - Falou baixinho, colocando o papel ao lado da cama - Ela tá torcendo por você. Eu também. Você precisa voltar... por nós.

Ela pegou sua mão e a beijou outra vez, suavemente, como se pudesse transferir toda a sua força por aquele toque.

Any: Tá ouvindo, Poncho? - A voz estava embargada, mas firme - Você já lutou tanto... Só falta mais um pouquinho. Eu tô aqui. Sempre estarei. Te amo muito. - Ela secou uma lágrima que teimou em cair e acariciou o rosto dele com cuidado.

E enquanto o coração dele seguia pulsando no monitor, Any sentiu que a esperança começava, aos poucos, a fazer morada de novo.

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Na manhã seguinte, Maite voltou ao hospital. Ao chegar, encontrou Any cochilando na poltrona.

Maite: Any! Acorda... Vai pra casa descansar um pouco. Assim vai ficar cheia de dor. - Chamou com cuidado.

Any: Mai! - Despertou, assustada. - Não, não vou. O médico apareceu? Eu preciso saber como o Poncho tá.

Maite: Tá muito cedo ainda. Vai comer alguma coisa então. Desse jeito, quando o Poncho acordar, vai se assustar de te ver tão fraquinha. - Passou a mão no cabelo da amiga, preocupada.

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