Um novo horizonte

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Notas do autor: Na enquete realizada, Robert foi o escolhido, haverá essa pequena sequência de capítulos paralelos antes de voltar a Marco. 

Robert Lewandowski

Fecho os olhos na tentativa de dormir, afundando o rosto contra o travesseiro. Os minutos passam, um após o outro, e o sono não vem. É estranho. Mesmo em casa, não consigo me sentir completamente à vontade, como se houvesse algo fora do lugar.

Quando o dia finalmente clareia, procuro por minha mãe, não a encontro em lugar algum. Pergunto aos meus homens, nenhum deles a viu sair.

Sobre a mesa, encontro um boné novo. Preso à etiqueta, há um pequeno bilhete, com uma letra fina e inclinada que reconheço desde criança.

"Para meu filho, Robert. Cuidado com as companhias. Nos veremos em breve."

Mais tarde, encontro-me com Szczesny na fábrica. Acendo meu charuto e dou um longo trago, ainda com as palavras de minha mãe ecoando na cabeça.

— E então, o que minha mãe ofereceu em troca para que você quebrasse o protocolo, afinal?

— Não muito. Eu já iria entrar em contato, mas ela insistiu em fazer uma "surpresa". — Dá de ombros. — Convenhamos que não haja muito o que desconfiar das intenções de uma mãe para com o próprio filho.

— A questão não é essa, Szczesny. — Bato a cinza do charuto. — Não importa quem seja, é preciso manter a rigidez. Basta uma brecha para a organização inteira começar a vazar. Sabe lá que inferno deva passar na cabeça dos outros?

Cerro os olhos, baixando brevemente o olhar para o charuto entrelaçado entre meus dedos.

— Não esquenta com isso, Robert. Nada deu errado. Nem todo mundo está de olho nas suas costas. Mas beleza... — Ele ergue as mãos num breve gesto de rendição. — Eu entendi.

— Só... É melhor não termos essa conversa novamente.

— Queria que desse uma olhada nesse assunto.

Tiro do bolso alguns comprimidos e os arremesso nas mãos dele.

— Já tem um tempo, estive em uma festa. Uns desses comprimidos foram misturados com a minha bebida e... — Permaneci em silêncio por alguns segundos, meio recluso. — Acabei perdendo a cabeça e de repente, voltei a ter seis anos.

— Drogas experimentais... De quem conseguiu isso?

— Bednarek.

— Pensa que aquela dissociação foi por conta disso?

— É a minha principal suspeita.

— Como aceitou ser o rato de laboratório dele?

— Não aceitei. Fizeram uma roleta-russa e acabou sendo a minha bebida a que estava adulterada. Quando vi, as tomei de Bednarek, que me jurou que eram totalmente seguras. O fiz engolir uma diante de mim para ter certeza.

Szczesny gira o comprimido entre os dedos.

— Ele chegou a beber?

— Não muito.

— É provável que a combinação tenha potenciado os efeitos muito além do que deveriam e empurrado os efeitos que o álcool afeta: julgamento, autocontrole, percepção das consequências.

— Curioso. — Ainda pareço incrédulo que tudo isso tenha acontecido e me comportado como criança.

— É loucura... Porque, quando você tira parte do controle, sobra aquilo que normalmente fica atrás dele. Emoções, impulsos, necessidade de atenção... comportamentos mais simples.

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⏰ Última atualização: Sep 21 ⏰

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