- Acho bom isso funcionar! – exclamei, analisando as vestimentas carnavalescas que Pierre me fez vestir.
Não eram exatamente carnavalescas, mas possuía toda a essência e extravagância quanto. Uma saia de plumas azuis, combinadas com um corpete cinza e uma peruca curta de corte reto.
- Vai funcionar. – ele respondeu, esperançoso à espreita do apartamento.
- Não acredito que me fez vestir isso. Deveríamos manter a discrição. – alisei a saia em meu corpo. Pierre possuía muito material de fantasia que eram pertencentes à sua falecida mãe, e ele guardava em seu apartamento por algum motivo. Ao menos, ele argumentava que havia motivo, pois na minha concepção, ele deveria vestir aquelas roupas extravagantes vez ou outra para realizar algum desejo carnal de Lara. Ou o contrário. Aquilo não tinha importância no momento.
Tentei afastar Lara de meus pensamentos. O último acontecimento não deveria atrapalhar minha concentração, que já era pífia àquelas horas da noite.
Entrei no prédio de maneira casual, ao lado de Pierre. Ele vestia um terno azul com gravata borboleta, e pelo que pude notar, não sabia o significado de "passar despercebido quando a polícia está em seu encalço". Fingimos ser um casal que morava em um dos apartamentos. Havia realmente um casal de gostos peculiares e duvidosos para roupas, e se ninguém nos olhasse de perto, poderíamos adentrar o apartamento sem maiores preocupações.
O porteiro estava distraído dando depoimento ao policial de farda bem posta. Havia uma pequena equipe jornalística no hall de entrada, mas incrivelmente, nas últimas horas, a sorte parecia estar ao nosso favor, pois em momento algum fomos impelidos de pegarmos o elevador.
Que segurança falha! Pensei, aliviada por termos conseguido, mas decepcionada pela facilidade de acesso que havia no prédio.
- Só respire fundo e mantenha a calma. Vamos conseguir. – Pierre sussurrou para mim, segurando com precisão minha mão delicada e envolta em uma pequena camada de luva. Fazia parte do figurino.
- Ôh, paspalhão. Acho bom você encontrar de cara essa caixa de madeira pra gente dar o fora desse lugar o quanto antes. Não está me cheirando bem. – crispei o lábio para a direita, na expectativa de que tudo desse certo.
Eu vou me vingar por você, Lara. Fiz o juramento em pensamento assim que ficamos de cara com a porta de seu apartamento.
Pierre possuía cópia da chave, então apenas giramos a maçaneta de cobre rubro sem fazer barulho.
- Ela me disse que estava bem na cabeceira da cama. – Pierre anunciou, e sem esperar minha pronunciação, foi em direção ao seu quarto. Acendeu a luz do quarto, mas em seguida batia os dedos no interruptor para que ele o desligasse.
- O que está fazendo? – ele questionou, virando para trás e ligando a lanterna do celular.
- A janela do quarto dela dá pra rua. – respondi, apontando na direção. – Se alguém ver lá de fora, pode achar estranho.
- Espertinha! – ele esboçou um sorriso de canto nos lábios.
A localização da caixa de madeira não foi de difícil acesso, e logo ele voltou para a porta do quarto, com a caixa embaixo do braço.
- Agora vamos dar o fora daqui. – pestanejei, dando meia volta para sairmos o quanto antes do apartamento.
Ver o quarto de Lara me trazia lembranças. E não eram distantes. Eram do mesmo dia, de uma Lara jogada ao chão em prantos, torturada pelos latidos que penetravam em sua mente. E em à sua frente, sem nada poder fazer.
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Não foi suicídio!
Mistero / ThrillerBelina vê sua vida virar do avesso ao presenciar um suicídio. Frio, rápido e sem explicação. Uma jovem se joga do topo de um prédio, tendo seu corpo perfurado pelos cacos de vidro da calçada. Ninguém entende como uma jovem no auge de sua vida era c...
