Cap. 5 - "Colégio Interno"

169 20 6
                                        

Depois daquela conversa com a minha mãe, passei o resto do dia lendo no meu quarto.

Normalmente eu iria para a floresta, mas isso só me lembraria de que teria que passar um tempo nesse tal 'Refúgio', e, segundo a minha mãe, esse tempo seria de alguns meses.

Tudo porque ela foi capturada e fugiu, agora tinham caçadores atrás dela e, agora que eu tinha a marca, isso era perigoso para mim também.

O problema é: Eu não quero ir a lugar algum! Quero ir para a escola, conversar com os meus amigos, continuar com a minha vida! Por que raios eu fui seguir aquele bendito ponto até aquele pinheiro?

Ponto não, Anjie, Essência.

Tanto faz! Só sei que esse tipo de coisa só acontecia em contos de fadas e agora, bem... eu acho que tenho asas. Nunca as vi, mas segundo a minha mãe elas vão aparecer automaticamente quando eu entrar no Refúgio, e com o tempo eu aprendo a controlar quando elas aparecem.

Meu pai falou que vai trancar minha matrícula na escola e falar que vou continuar os estudos num Colégio Interno por um tempo, afinal, também vou ter aulas normais no Refúgio. Disse que era isso que eu deveria contar às pessoas, que estava indo passar um tempo num colégio interno.

Quem é que passa um tempo num Colégio Interno? Não sei se meus amigos cairiam nessa, mas é melhor do que chegar e dizer: "Hey gente! Tô indo para o Refúgio que é invisível para vocês porque tem caçadores atrás de mim e da minha mãe porque nós temos asas, okay? Até daqui a alguns meses!" Eles me internariam num hospício.

No momento estou dentro do segundo ônibus indo para a escola, provavelmente no último dia normal da minha vida.

Penso em tudo que pode mudar agora. Vou passar meses sem meus melhores amigos, passar meses sem ver meu pai. Não vou mais ir a escola todo dia. Não vou mais para a festa do pijama anual das meninas, que é mês que vem. Uma lágrima quente desce pela minha bochecha até salgar meus lábios. Seco-a rapidamente com a palma das mãos.

- Tudo bem? - um menino (que até o momento eu nem tinha percebido) sentado ao meu lado pergunta.

- Ah... sim. Claro. Obrigada por perguntar.

Ele até que é bonitinho. Usa uma camiseta preta sem mangas, mas uma coisa me chama a atenção. Em seu braço, um pouco abaixo do ombro, existe uma grande tatuagem colorida. Uma grande árvore com uma frase em baixo em uma língua estranha. Percebendo que eu olhava sua tatuagem, sorriu.

- Gosta de tatuagens?

- Gosto. - tento me segurar, mas falho - O que está escrito?

- Único reino. Não faz sentido, eu sei. É mais pessoal mesmo.

- Ah, sim. Realmente não faz muito sentido. - disfarcei.

Único Reino. Uma árvore. Tem um caçador do meu lado. Meu Deus.

Graças a Deus, meu ponto era o próximo. Levantei, pedi licença ao caçador, que me olhava esquisito e desci do ônibus.

Fui andando até a escola pensando no que havia acabado de acontecer. Havia visto um caçador, frente a frente. E o mais assustador é que ele parecia ser uma pessoa qualquer. Parecia normal. Tenho que mudar meu conceito de normal.

- Hey!! Finalmente ein! Achei que não chegaria nunca! - Pedro disse. Ele e as meninas estavam me esperando perto da porta da escola.

- Tive um imprevisto.

- Posso saber que imprevisto foi esse? - Elisa indaga.

- Ah... É... perdi o ônibus. Foi isso.

Finalmente LivreOnde histórias criam vida. Descubra agora