Tentei dormir. Confesso que tentei. Mas não consegui. Algo me mantinha acordada, uma sensação estranha de que havia alguém me vijiando.
Levanto irritada, com certeza tem alguém me vijiando. Abro minha janela e olho ao redor. Não vejo nada além de um pequeno ponto azul brilhante a alguns centímetros do meu rosto. Fecho a janela, um pouco assustada e volto para a cama.
Deve ser um vagalume estranho. Esqueça. Permaneça na sua cama, confortável e quentinha. - meu subconsciente tentava me convencer. Falhou.
Levantei da cama e calcei uma sapatilha bege, que estava jogada perto da minha cama e volto para a janela. Abro-a e encaro o pequeno ponto azul à minha frente.
- Oque você quer? Eu quero dormir, pare de me vigiar, vagalume! - sussurro para o ponto azul. Ele gira no ar e vai se afastando. Algo naquele ponto brilhante me atrai.
Apesar de todos os meus instintos estarem me dizendo para voltar para a cama, ignoro-os, pego um sobretudo xadrez vermelho (o primeiro que eu vi) no armário e pulo a janela com a ajuda de uma corda (que deixo sempre preparada) já que meu quarto é no segundo andar.
Olho em volta e o ponto se encontra um pouco mais a frente, como que me esperando. Meus instintos gritavam que não se deve entrar numa floresta no meio da noite só com a luz da lanterna do celular seguindo um ponto azul misterioso mas, eu os ignorei, como sempre. Sou muito curiosa.
Sigo o bendito ponto mata adentro, e em meio a curvas e retas ele para, flutuando em frente a um pinheiro gigante. Só que havia um detalhe estranho: nunca havia visto pinheiros nessa floresta. Então me lembro de uma vez, a muito tempo atrás, quando minha mãe ainda não havia sido presa. Foi uma das únicas vezes em que ela me levou para passear, e fomos caminhar na mata. Acho que sei de onde puxei meu lado esquisito.
Flash back on
- Oque viemos fazer aqui mamãe?
- Esta é uma floresta muito importante, pequena Angie.
- Por que, mamãe?
- Um dia mamãe vai te contar. Quando for mais velha.
Paramos em frente a um pinheiro, que na época me pareceu tão grande quanto um arranha-céu.
- Essa árvore é a mais importante daqui, minha filha.
- Por que?
- Porque ela marca o centro da floresta. Ela é o coração que a mantém viva. Ela sempre tem que ser muito bem protegida.
Flash back off
O centro. O coração. Eu havia andado até o centro da floresta atrás de um ponto brilhante. Por quê? Oque me fez vir até aqui?
Me viro para ir embora mas algo me chama a atenção. Um símbolo começa a brilhar intensamente no tronco do grande pinheiro. São duas azas. Elas brilham no mesmo tom que o ponto, e de repente o absorve.
Encaro tudo sem entender nada. E então, de todas as árvores a minha volta começam a surgir vários pontos azuis. Eles dançam no ar, e se juntam ao meu redor. É lindo, mas agora tenho certeza de que enlouqueci. Como isso pode ser possível? Eles vão chegando cada vez mais perto, mas sempre que um deles está prestes a me tocar, eles se afastam.
Até que sinto um me tocar. Bem na minha nuca. Seu toque queima como se estivesse em contato com um metal fervente. Deixo um grito de dor escapar, e então todos começam a se afastar. Quando todos já se foram, o símbolo começa a brilhar mais forte. Sinto minha cabeça pesada e tudo ao meu redor girar, até que caio na grama fria e tudo fica escuro.
[...]
Acordo no conforto da minha cama, com o sol sobre meu rosto. Levanto, vou ao banheiro e faço minhas higienes. Vou até a pia, jogo um pouco de água no rosto e me olho no espelho.
Pera... eu... oi?
Arregalo os olhos ao me lembrar do que acontecera. Mas, eu dormi na mata e acordei na minha cama! Volto correndo ao quarto e olho para perto da minha cama: a sapatilha está no mesmo lugar. Vou ao guarda roupa e confiro: o sobretudo está intacto. Checo no meu criado-mudo e meu celular está carregando ali encima, assim como estava na noite passada.
Deve ter sido só um sonho. Um sonho muito louco. Mas, a boa notícia é: Não estou louca!
Ainda.
Ainda nada! Não vou ficar louca!
Você está discutindo com seu próprio subconsciente, já enlouqueceu!
Enlouqueci nada! Enfim... meu estômago está roncando e, como hoje é feriado, posso demorar no café da manhã... graças a Deus!
Desci as escadas e fui a cozinha.
- Bom dia! - disse.
- Boa tarde, você quis dizer. Já são meio dia e meio! - meu pai responde.
- Desculpe, eu deveria estar cansada e nem sabia... - digo, pensativa.
- Como você pode estar cansada sem saber? - só aí reparo a presença de minha mãe, sentada a mesa na cozinha.
- E o que você ainda está fazendo aqui? - pergunto, seca.
- Angie Bragança Stanford! Já falei para ser educada com a sua mãe! - meu pai me repreende.
- Claro! Desculpe! - disse e dei o sorriso mais falso que consegui.
Sentei a mesa e me servi o café da manhã/tarde. Estava muito calor, então prendi meus cabelos pretos em um coque alto. Minha mãe se levanta e passa por mim.
Ela para imediatamente, com uma expressão incrédula olhando para mim.
- Oque foi? - pergunto, o mais delicada possível.
- Mas... tão cedo? Como? Eu... eu não...
Ela olhava para a minha nuca, justamente onde o ponto havia me tocado, no sonho. Corro ao banheiro e olho minha nuca no espelho. Meus olhos se arregalam e meu queixo cai, incrédula. A marca das asas, a mesma que estava no tronco, estava gravada na minha nuca, como uma tatuagem.
Foi tudo real. Mas como era possível? Voltei a sala e minha mãe estava no sofá falando rapidamente, desenperada enquanto meu pai tentava acalmá-la.
- Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? - Eles param de falar e olham para mim. Para minha surpresa, minha mãe responde.
- Filha, sente-se. Temos muito o que conversar.
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Dois caps em uma sexta só? Pois é minha gente, então... acontece que vou viajar hj e só volto domingo que vem. Só que lá não tem wifi :'( então postei o cap de semana que vem hoje, pra compensar okay? Desculpem qualquer coisa ♥
Os pontos azuis brilhantes estão na mídia do cap.
E essa marca gente?? O que a mãe da Angie tem a ver com isso?? Prevejo altas emoções hahahaha
Amo muito muito voxês ♥♥
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XOXO, Isa ♥
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Finalmente Livre
FantasyVocê raramente acreditaria se te contassem que o mundo não é exatamente o que você imagina. Que as coisas ao seu redor vão muito além do que você vê e percebe. Fato, soa como baboseira hippie de algum culto. Era o que eu pensaria se as coisas não ti...
