"Só um vagueia. Dois juntos vão a algum lugar."
Um Corpo que Cai
Pois é, não era só como gostávamos do café o que havia em comum entre nós. Sempre sofri um pouco de preconceito pelo meu gosto musical. Enquanto minhas colegas de colégio estavam se jogando nas coreografias do axé, eu era mais um solo de guitarra do Metálica.
Uma menina metaleira não é lá algo muito bem entendido, mas eu era. E, quando se curte rock os outros tipos de música se tornam profundamente irritantes. Isso me afastou de baladas, por exemplo. Nunca entendi esse negócio de música tecno. São todas iguais e várias não tem letra. Bom, isso é outra discussão. Resumindo: enquanto as pessoas da minha idade estavam passando seus fins de semana em boates e bares, curtindo forró universitário – é assim que chama?- e funk carioca, eu estava em casa fazendo downloads ilegais de álbuns do Pink Floyd.
Tá bom, eu sei que não é legal, mas a grana era curta.
Quando descobrimos que nosso gosto musical, meu e do Eric, era compatível nossa união estava selada. Os metaleiros são assim: unidos pela música. Na mesma semana que conversamos pela primeira vez ele me levou ao lugar mais maravilhoso do mundo: a Galeria do Rock. Não vou perder tempo explicando o quão fantástico esse lugar é porque só metaleiros entenderiam, mas foi lá que ele me beijou pela primeira vez. Compramos um CD especial, uma versão japonesa de um álbum que ele já possuia, mas que tinha uma faixa bônus. Ele então me convidou para ir até sua casa para que eu visse a coleção de cds.
O apartamento de Eric era perto do meu, mas muito diferente. Era em um edifício grande e tinha muitos metros quadrados a mais que o meu. Ele tinha crescido lá, mas depois que se formou foi contratado por uma multinacional e foi trabalhar nos Estados Unidos. Seu irmão também tinha se formado e tinha se casado, o que deixou os pais morando sozinhos no lugar. Com o tempo, acharam que o lugar era muito grande para eles, e com a volta de Eric decidiram deixar o apartamento para ele.
Isso porque ele supostamente voltaria dos EUA com sua noiva, uma americana, mas aparentemente as coisas não deram certo. Nunca perguntei muito sobre ela para o Eric. Ele não parecia ferido ou magoado com isso. Acho que não era para dar certo mesmo.
A coleção de CDS era divina e ele era apaixonado por ela. Aquilo era o sonho de todo amante do bom rock. Álbuns clássicos, alguns autografados, todos organizados em estantes especias, e em ordem alfabética. Simplesmente demais. Ele conhecia cada um deles intimamente e a forma como os respeitava era encantadora. Como não amar esse homem?
Os dias junto de Eric passavam muito rápido, e eu tinha um emprego novo o que acelerava ainda mais o tempo. É, além de um namorado maravilhoso eu tinha conseguido aquele estágio, tudo no mesmo mês.
Era fantástico finalmente trabalhar naquilo para o que eu tinha me formado. Bom, eu não era exatamente a arquiteta dos ricos e famosos mas sempre temos que começar de algum lugar. Brincadeiras a parte, eu estava muito feliz como assistente dos arquitetos da firma do senhor Miccelli. O trabalho era puxado e o chefe bem exigente mas eu estava disposta a me empenhar para ser efetivada.
Depois de dois meses juntos, Eric decidiu que deveríamos morar juntos. Ele disse que eu era a mulher da vida dele, que era um passo importante mas que precisava de mim perto dele, mas, na verdade, acho que foi por causa das infiltrações no meu apartamento. Achei um pouco precipitado, mas concordei em morar com ele enquanto reformava meu canto. Eu tinha algum dinheiro guardado e o lugar precisava mesmo de reparos. Esse apartamento tinha sido presente do meu pai e, mesmo ele não sendo o pai do ano, eu era apegada ao lugar.
- O que você vai fazer nesse fim de semana? – disse Eric um pouco distraído, enquanto jogava videogame numa noite. Eu foleava um livro sobre urbanismo.
- Vou ter que checar minha agenda- eu esnobei com cara séria, mas não durou muito e comecei a rir. Ele soltou o controle do playstation, me abraçou e beijou meu pescoço enquanto rolávamos no chão.
- Eu estou falando sério. O que vai fazer? Eu queria te apresentar para uma pessoa importante?
Confesso que me assustei um pouco.
- Quem?- disse com a voz esganiçada. – Já conheço seus pais, seu irmão, suas tias e até sua tia-avó e mais...
- Calma. – ele beijou meu nariz. Eric sabia que eu era um pouco ansiosa quando se tratava de conhecer pessoas da família dele. Eu ficava muito preocupada em agradar e no final, quando voltava para casa, estava exausta. – Quero que conheça um amigo meu.
- O tal do Joni? – eles se falavam pelo telefone o tempo todo. Até onde eu sabia eles tinha sido amigos de infância e tinham feito a faculdade juntos. Os dois eram engenheiros e melhores amigos. Tinham se distanciado um pouco porque Eric tinha ido para os Estados Unidos e o tal 'Joni tinha se casado um pouco antes.
- É, ele mesmo.
Esse cara era realmente importante para ele. Torci o nariz.
- Nesse fim de semana eu tenho que preparar um relatório para entregar na segunda a tarde. – como era verdade, e ele sabia o quanto eu levava o trabalho a sério, ele aceitou. Ficou decepcionado, mas aceitou.
- Está certo.
- O que vocês tinham planejado? – já perguntei com o remorso pesando em minha voz. Será que deveria deixar os relatórios para lá? Eu amo tanto esse homem, pensei.
- Ele nos convidou para a casa de praia dos sogros dele. A Raquel, esposa dele, e os filhos estarão lá também.
Abaixei o rosto, decepcionada. Ele então tocou meu queixo e o ergueu.
- Tudo bem, Bel. Eu acho legal você se esforçar tanto no trabalho. É importante se dedicar a carreira no começo. Eu entendo.
- Mas você vai mesmo assim, não é? Não vou me perdoar se você não for.
- Não sei, Bel. Não quero deixar você sozinha.
- Você vai ter que ir. Eu posso ficar na minha mãe. Tenho que me concentrar nos relatórios mesmo. Junto com você ia ser bem mais difícil – disse maliciosamente e o beijei.
O beijo começou doce mas em segundos tudo ficou mais intenso. Ele soltou meu cabelo que estava amarrado em um coque somente com um nó. Passou a mão pela minha nuca me puxando para mais perto dele. Arrepiei inteira quando ele me colocou sentada de frente para ele em seu colo e continuou me beijando. Os dois estavam sem fôlego quando ele disse.
- Está bem. Eu vou.
Eu sorri com meus lábios ainda encostados nos dele.
- Você não ia mesmo conseguir terminar os relatórios comigo aqui.
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Os Cem Melhores Filmes
RomanceIsabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava. =========================...
