Capítulo 18

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"Deixa pra lá, Jake. Isto é Chinatown."

Chinatown



Batem à porta.

O senhor Miccelli e eu estávamos revisando alguns projetos para renovação do portfólio da empresa.

- Sim. - Ele diz com o tom firme.

- Desculpe a intromissão. - Diz Ângela - O senhor Alberto Conti Mendes ao telefone.

- Passe a chamada aqui para minha sala.

A secretária pigarreia claramente desconfortável com a situação.

- A ligação é para a senhorita Mendes, senhor.

Pela primeira vez assisto o senhor Miccelli ser surpreendido.

- Passe para minha sala, por favor. - Digo sem jeito, enquanto nossos olhares se cruzam e Ângela deixa a sala rapidamente.

- Poderia me dizer por que o arquiteto mais famoso deste país liga para a minha empresa e quer falar com você, senhorita Mendes?

Ele estava insinuando alguma coisa. Enfatizou bem a parte da empresa ser dele. Talvez estivesse achando que eu armava algum golpe contra seu amado negócio?

- Porque ele é meu pai - Digo magoada, já saindo da sala.

- Alô, oi pai!

- Filha! Como você está minha flor?

Embora houvesse ressentimento em relação ao meu pai, nuca pude ser rude com ele. O jeito que ele falava, o tom de voz, sei lá. Ele sempre me quebrava na primeira frase.

- Estou melhor, pai. As dores passaram e estou trabalhando bastante.

- Está trabalhando para o filho do Miccelli. Sua mãe me disse. Ouvi dizer que ele é um prodígio. Tem ótimos trabalhos. Eu conhecia o pai dele.

- É. Ele é ótimo. Podemos não falar dele?

Meu pai riu.

- Certo. Isabel, eu ainda estou em Paris mas vou voltar para o país no mês que vem. Posso ir visitá-la?

- É claro que pode, pai. Não tem nem que pedir. Eu quero que você veja o apartamento. Eu o reformei. - Tinha em minha voz a excitação de uma menininha querendo mostrar o castelo de areia que fez na praia ao seu maior herói.

- Estou ansioso por isso. - Pareceu realmente animado. - Nos vemos mês que vêm.

Desliguei. Até tentei fazer pouco-caso daquilo, mas era enorme. Ele nunca tinha pedido para me visitar. A breve conversa que eu tivera com João alguns dias antes imediatamente veio a minha cabeça. Era isso. Eu estava disposta a me reconciliar com meu pai. Estava tão absorta naquele pensamento que nem ouvi a porta se abrir.

- Isabel, você está bem? Me desculpe, eu não quis te ofender.

- Tudo bem. Está tudo bem. - Meu coração estava sereno com a promessa de recuperação do amor paternal.

- O que ele queria? - pergunta João verdadeiramente interessado.

- Ele quer me ver.

- E?

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