Capítulo 11

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     " -A porta está trancada.

   - Nesse caso, crie sua própria porta."

                               O Labirinto do Fauno

É avassalador o sentimento quando você se vê frente a algo inexorável. Algo que nada pode fazer para mudar. Pensando bem essas situações não são assim tão comuns, mas posso dizer que quando se apresentam são estarrecedoras. Eu tinha uma raiva que contra o quê não havia como direcionar. Uma agonia sufocante.

Mas, apesar de muito assustador, percebi que havia pouco que eu pudesse fazer a não ser aceitar a nova realidade e conviver com ela dia após dia.

O que mais fazer? Sério? O que fazer?

A resposta? Continuar vivendo. Ir em frente mesmo que absolutamente não valha a pena.

O que mais se pode fazer?

Morrer passou pela minha cabeça? É claro que sim, porém muito rapidamente. Atentar contra a própria vida não é algo assim tão fácil. Eu tinha estado em um acidente automobilístico que quebrou minhas costelas, contundiu meu pulmão e fez meu cérebro inchar mas não tinha sido agraciada com o desligamento do meu coração.

Podia então tentar não fazendo nada acabar com a minha vida. Não comer, não falar, não levantar da cama, não abrir os olhos. Esse pensamento também foi fugaz. Eu não suportaria os apelos da minha mãe, por exemplo.

Então, optei por continuar. Continuar na direção de um objetivo incerto. Com a esperança de encontrar alguma coisa e a resiliência de quem não tem outra escolha.

- Miccelli Engenharia e associados, em que posso ajudar?

- Bom dia, Ângela. Aqui é Isabel Mendes.

- Garota! Meu Deus, como você está?

- Estou bem melhor, obrigada.

- Eu lamento muito por tudo.

Eu fiz uma pausa. Imaginei, por um segundo, se todos estavam falando sobre isso. Talvez achassem que eu tinha o emprego porque era namorada do amigo do chefe. Só de especular sobre isso meu rosto queimava e meus pensamentos eram os piores possíveis. Eu precisava encontrar outro emprego. Minha carreira era tudo o que eu tinha agora. Mas antes tinha que encerrar o que eu havia começado.

- O senhor Micceli está aqui. Quer falar com ele? - ela disse interrompendo o silêncio.

- Não quero incomodá-lo. Liguei para avisar que volto ao trabalho amanhã.

- Não sei não, Isabel. Melhor chamá-lo e vocês conversam.

Certo. Acho que estou sendo dispensada. Bom, faz sentido. Não ia dar para continuar lá. A fofoca e o clima não iam ser bons.

- Não, Ângela! Estarei aí de qualquer maneira amanhã cedo.

Se ele ia me demitir, ia ter que fazer isso olho no olho.

- Certo. Vou avisá-lo. Até amanhã.

Desliguei o telefone e suspirei.

- Tudo bem? - perguntou minha mãe.

- Acho que vou ser demitida.

- Ele não pode fazer isso. - ela gritou indignada.

- É claro que pode, mãe. - Sem qualquer sentimento em minhas palavras, respondi.

- Você está bem mesmo, Isabel? Você parece tão distante.

Eu sabia o que ela queria dizer. Ela vinha repetindo essa mesma pergunta ha uma semana. Desde que sai do hospital. Eu tinha respondido calmamente com um sim, todas as vezes.

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