Capítulo 26

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 " Luke, eu sou seu pai."

                Star Wars


Abro a porta de casa para meu pai. Fico um pouco exasperada com a desorganização de minha sala. Eu não o esperava e havia livros abertos, folhas com projetos, canetas e réguas jogadas por todos os cantos.

 –Pai! Que saudade. – digo o abraçando. Minha carência transbordando. – Fique à vontade.

– Como você está minha flor? Fiquei tão preocupado depois de seu acidente.

– Eu estou bem. – não saiu muito convincente, mas ele não questionou. – Desculpe a bagunça. – digo enquanto o observo pegar uma das plantas desenhadas por mim.

Ele ignora minha última frase.

– Do que se trata? – ele pergunta ainda com o desenho em mãos.

– Não é nada. É uma ideia que o Eric estava desenvolvendo. Uma moradia de baixo custo com matéria prima reciclada ou reciclável. Ele tinha apenas alguns materiais em mente e a estrutura básica. Eu que pensei em desenhar a planta. Bom, não é nada.

– Não é nada? – ele diz exaltado, isso já tinha sido repetido por vezes demais. – É fantástico. Essa parede com os detritos plásticos do material reciclado aparente é genial.

– Para com isso, pai.

– E esse teto da cozinha com as telhas de vidro? – ele me ignora – Vai usar a luz natural ao máximo.

– Sim. Por isso também há uma parede de vidro na sala, com um jardim interno entre ela e o muro. Pode ser usado para plantar temperos, por exemplo. Está um pouco difícil de visualizar por que esta sem cor. Deixe-me ver. – Tomo o pedaço de papel das mãos dele e alcanço algumas esferográficas.

Tonalizo o desenho usando tons escuros e claros para definir profundidade. Enquanto meu pai observa me dou conta que estou pintando com canetinha na frente de um grande arquiteto. E o pior: Para que ele possa ver melhor. É claro que ele não precisa disso para ver coisa alguma.

– Continue, Isabel! Por que parou?

– O senhor não está interessado nisso. É uma bobagem.

– Pelo amor de Deus, garota. Isso é sensacional. Onde aprendeu essa técnica com as canetas?

– Em Paris, no intercâmbio.

– Estou muito orgulhoso.

Eu queria mudar o assunto mas como ele parecia realmente interessado entrei na dele.

– E isso? Do que se trata? – ele aponta um rascunho.

– São as camadas necessárias para um telhado verde, vê? A laje, seguida de uma membrana a prova de água. A seguir uma membrana anti-raiz para impedir que elas perfurem o telhado. – ele me acompanhava olhando o papel enquanto meu dedo subia na representação – Então um material poroso para drenagem, seguido do substrato, que é três vezes mais leve que a terra e não compromete a estrutura, e por fim a vegetação.

– Fantástico!

Ele parece verdadeiramente emocionado e me permito acreditar que sou boa no que faço. Algo que vem a calhar depois daquela manhã.

Mas pai é pai.

Conversamos por horas sobre o projeto. O tempo passou sem que nos dessemos conta.

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