Capítulo 12

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"A culpa não é sua..."

Gênio Indomável

Uma semana se passou rapidamente. Eu estava sempre me mantendo ocupada. Com o projeto, com voltar para meu antigo apartamento e me consultar com a psicóloga.

A doutora Daniela era uma mulher que, com certeza, aparentava ser bem mais jovem do que realmente era. Tinha uma voz que exalava calma. Falava pausadamente e pronunciava cada sílaba das palavras com precisão. Ela pediu que eu contasse um pouco sobre mim e depois sobre o Eric. Não houve muita ênfase no acidente, o que me deixou um pouco mais confortável. Eu senti que ela apenas queria me conhecer.

- Certo, Isabel. Pessoas que passam por situações traumáticas tendem a ficar revivendo o acontecido em seus pensamentos. As vezes até se culpam por acidentes, pensando que se tivessem feito algo diferente nada aconteceria. Isso geralmente acontece quando não estão ocupadas ou quando estão sozinhas.

Eu concordei.

- Sei que você está se dedicando ao trabalho e isso ocupa sua mente, mas me preocupo um pouco com o tempo que você passa sozinha.

Eu estava acompanhando. Era mesmo no fim do dia, quando chegava em meu apartamento, que a realidade gritava em minha cabeça.

- Por isso proponho que você estabeleça para si um projeto e inicie também a prática de um hobby.- ela explicou melhor. - Por exemplo, como projeto alguns pacientes meus optam por montar quebra-cabeças de milhares de peças, ou aviões em miniaturas que são réplicas fiéis.

Eu comecei a entender.

- Como hobby alguns começam a estudar jardinagem ou iniciam a prática de um esporte sem fins competitivos. Você entendeu?

- Sim.

-Pode pensar em opções até a próxima consulta?

- Posso.

Então já era sexta-feira. Desde que tinha decidido voltar para o meu apartamento, depois de passar uma semana com minha mãe, a Paula e a Carol tinham se revezado passando o final de semana comigo. Aquilo me ajudou muito mas não podia continuar para sempre. Elas tinham a vida delas e eu tinha que tocar a minha. Então, um final de semana inteiro sozinha e sem o escritório para eu poder ocupar minha mente se aproximava. A ideia me apavorava mas não havia o que fazer. O fim do dia se aproximava e teria que lidar com isso afinal era um problema meu.

Eu estava guardando uns esboços dos projetos em minha pasta, quando vi, pela parede de vidro de meu escritório, o senhor Miccelli saindo muito apressado. Seu rosto parecia muito preocupado e eu soube na hora que Raquel havia piorado.

Sem pensar me dirigi ao hospital. Lá me informaram que seu estado havia piorado e que eu não poderia vê-la, mas que seu marido já estava com ela. Mesmo assim eu não queria ir para casa, eu precisava vê-la. Gostaria que ela soubesse que eu estava lá com ela.

Eu não queria perder mais ninguém.

Eu não queria ficar sozinha.

Nunca fui muito religiosa mas me sentei em uma poltrona e supliquei baixinho:

- Por favor, não a deixe morrer. Ela tem dois filhos pequenos. Eles precisam dela, ela precisa ficar.

Fechei meus olhos e repeti isso algumas vezes, quase como um mantra.

Uma mão em meu ombro.

- Isabel.

Abri os olhos assustada.

- Isabel, o que está fazendo aqui?

João sentou-se ao meu lado e eu me acertei na poltrona.

- Eu queria vê-la. Como ela está?

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