Capítulo 29

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"Lembre-se que ninguém é um fracasso se tem amigos."

A felicidade não se Compra.


Atendo ao celular enquanto abro mais uma garrafa de vinho.

- Oi, Paula!

- Oi amiga! Vamos para "nigth" com a galera hoje?

- Paula, já te falei que não estou a fim.

E, então, a campainha toca.

- Quem é? - é lógico que a curiosidade dela não deixaria um toque na porta passar barato.

- Não é ninguém. - falo mais baixo abrindo a porta e esperando que João não tenha ouvido.

Ele me vê e eu aponto o celular em minha orelha. Faço um gesto para que se sente e ele o faz em silêncio.

- Quem é, Isabel? - Paula já estava exaltada.

- O Zé subiu com a pizza que eu pedi. - Falo baixo, já na cozinha, enchendo as taças.

- Sei. O que vai fazer hoje então? Ver algum filme de 1920 de novo?

- Basicamente. - Entrego uma taça ao meu visitante e peço desculpas com meus lábios se movendo em silêncio.

- Por favor, Bel. Vamos lá. Tem um cara que eu quero apresentar pra você.

- Ah, tem um cara? Ai que eu não vou mesmo.

Ela ri e João me observa com curiosidade.

- Está certo. Eu desisto. Quer que eu vá ai assistir suas velharias com você?

Se eu estivesse realmente sozinha não negaria mas eu não estava, e me sentia mal por não ter dito nada sobre o João para ela. Sabia que se eu contasse ela faria uma novela e, no fundo, estava ciente que aquela situação não era lá muito convencional.

- Não precisa. Eu estou bem. - Digo e não consigo evitar olhar sorrindo para ele sentado ao meu lado. Estou muito bem. - Que tal almoço na semana que vem?

- Combinado. Boa noite então, amiga.

- Boa noite. Divirta-se e comporte-se.

Desligo e agora é a vez da curiosidade do João.

- Quem era?

- A Paula. É uma amiga. Uma amiga insistente. Quer que eu saia com ela para uma dessas boates barulhentas.

- E por que você não aceita? Nosso projeto a atrapalha?

- De jeito algum. Esses lugares não são minha praia mesmo. Nunca foram. A música é muito ruim.

- Era o que o Eric dizia de todas as festas da faculdade. - falar sobre Eric parecia não incomodar a nenhum de nós dois.

- Pois é. E você, João? Não curte uma boa balada de música eletrônica?

- Não tenho muita experiência sobre isso mas gostaria de dizer que não é minha praia também. Sou mais um cara piano bar e compromissos de negócios.

- Eu achei mesmo.

- O que vamos ver hoje?

- A Felicidade não Se Compra de 1946.

Toma essa Paula. O filme tem 26 anos a mais do que ela insinuou.

- Moderno. - ele disse, fazendo um bico com os lábios bem engraçado.

- É um clássico.

Um homem que abdica de todos os seus sonhos para ajudar á outros pensa em se matar mas tem a oportunidade de ver como seria o mundo sem ele.

- Belo filme de fato. - João conclui após os créditos.

- Eu gostei.

- A amizade é algo muito importante mesmo. Deve ser valorizada. Eu tive muita sorte de ter um amigo como o Eric. Você podia dar uma chance a sua amiga, a Paula. Ela deve estar preocupada com você.

- Você tem razão. - Digo tocando o botão de desliga do televisor.

- Quem sabe qualquer dia você aceita ir a boate barulhenta com ela e eu acompanho vocês para aumentar minha experiência.

- Seria ótimo e hilário ver você curtindo uma música eletrônica.

Nós rimos, ele se levantou e foi até a porta.

- Boa noite, senhorita Mendes.

- Boa noite, senhor Miccelli.



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