Isabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava.
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Passei a semana inteira tentando ao máximo evitar o senhor Miccelli. Não conseguia parar de pensar naquele constrangimento. Minha vida profissional era a única coisa que tinha naquele momento e eu ameaçara colocar tudo a perder.
Porém, tentando tirar algo positivo daquele constrangimento, foram as melhores horas de sono que eu tivera em um mês. Aquele descanso me proporcionou uma semana com a cabeça um pouco mais focada nos projetos.
Na sexta-feira o chefe me chamou em sua sala. Tínhamos alguns relatórios de serviço para avaliar. Ao final da breve reunião eu não consegui deixar a sala.
- Algum problema, senhorita Mendes? - ele disse com certa impaciência.
Respirei fundo.
- O que aconteceu na casa do senhor foi inadequado e eu peço desculpas.
Ele enrugou a testa.
- O que foi tão inadequado?
- Eu ter dormido no seu sofá, senhor.
O rosto dele relaxou e ele ergueu a lateral de seu lábio.
- Ah... Isso. Eu também dormi no sofá.- estava se divertindo e eu ficando desconfortável, mas ele percebeu.- Não vejo qualquer problema, Isabel. Estava cansada e pegou no sono. Eu que deveria me desculpar por tê-la incomodado no meio da noite.
Eu abri a boca mas ele não me deixou falar.
- Estávamos cansados e caímos no sono. Não se fala mais nisso. Certo?
Balancei a cabeça.
- As crianças estão bem?
- Estão com a minha sogra, mas vão passar o final de semana comigo. - seu corpo se contorceu um pouco e ele me pareceu ansioso. Algo pouco comum para o senhor Micelli. - O que me lembra que preciso comprar um videogame. Aparentemente é o único jeito daqueles dois ficarem quietos por algum tempo.
- O videogame do Eric está montado lá em casa. Se eles quiserem jogar... - parei de falar abruptamente.
Fique quieta um pouco, Isabel. Quer passar ridículo de novo? Oferendo serviço de babá para o chefe? Poupe-se!
- Seria ótimo! A que horas podemos passar lá?
O quê?
- Na hora que for bom para vocês. Não tenho nenhum compromisso.
- Deixe o endereço com a minha secretária e amanhã estarei lá, sem falta.
-Ok.
Sorri para mim mesma. Aqueles pestinhas devem estar tornando a vida do poderoso senhor Miccelli um inferno.
Ficar sozinha era um martírio. Quem diria, eu que me achava independente, dona de mim, agora, quando me encontrava a sós comigo mesma, demonstrava ser minha pior companhia.
Minha mente não parava, pensamentos recorrentes me assombravam. Tentava me distrair com outros assuntos e, quando estava quase alcançando a serenidade um pensamento sombrio voltava a me encontrar. Tinha algo que eu precisaria fazer mas estava evitando. Eu sabia que seria cobrada em breve e aquilo me apavorava. Seria eu capaz de aguentar estar naquele lugar novamente?
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