Capítulo 41

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" Só quando perdemos tudo, é que estamos livres para fazer qualquer coisa"

O clube da Luta.



– E como você se sente?

Sim, é a doutora Daniela. Minha mãe fez questão que eu voltasse a fazer a terapia com regularidade.

– Sinceramente? Eu me sinto como se tivesse voltado para trás. Como na época do acidente.

Talvez pior. Meu namorado morreu, perdi o emprego e... - hesitei.

– E o João. - a psicóloga completou meu pensamento.

– É. Tem isso também. - digo perdendo a paciência.

– Mas, assim como da outra vez, novas oportunidades se apresentam.

Tais quais? Pensei com ironia antes dela continuar.

– Você é talentosa. Pode encontrar outro emprego...

Gênial.

– ... assim como continuar a se dedicar ao canto e aproveitar a companhia de seu pai que, pelo que conversamos, está muito interessado em recuperar o tempo perdido com você.

Você ainda tem amigas muito especiais que também estão muito preocupadas com seu bem-estar. Assim como sua mãe.

É. O meu episódio de reclusão, deitada, sem comer ou me comunicar por dois dias tinha preocupado bastante o pessoal. O Zé passou horas tocando o interfone sem parar lá em casa até que chamou meu pai e um chaveiro para abrir minha porta.

Senti um pouco de vergonha. Tinha muita gente envolvida nisso por minha causa. Esse povo todo tinha conversado com a psicóloga depois do acontecido.

Eu havia me tornado a senhorita Coração Solitário de Janela Indiscreta. Eu precisava ouvir a música que daria sentido a minha vida.

– Tente se esforçar por eles. Quem sabe?

Quem sabe?

Sim, por eles. Sempre, por eles.

Certo. E decidi que o primeiro seria o Eric. Decidi ligar novamente para a ex chefe dele. Queria que o projeto dele fosse para frente para mostrar a todos o quanto eu o amava. Essa tentativa tinha poucas chances de sucesso uma vez que já tinha sido completamente ignorada na primeira abordagem.


–  Susi, aqui é Isabel Mendes

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– Susi, aqui é Isabel Mendes. Já nos falamos alguns meses atrás.

– Eu me lembro. Estou esperando as projeções que você prometeu até hoje.

– Desculpe, como?

– Nunca as recebi.

– Deve ter havido algum engano. - eu engasgo. - Eu devo ter cometido algum erro.

– Provavelmente. – ela disse com arrogância, mas a seguir mudou o tom. - De qualquer maneira o responsável por esse projeto acabou de se demitir. Essa é sua chance, garota. Mande para mim, mas sem erros. Eu darei uma olhada mas só porque estamos desesperados.

– Não haverá falha desta vez. Eu garanto.

Investigando meus e-mails encontro as mensagens de erro no envio há sete meses atrás. Havia digitado uma letra do endereço incorretamente. Estava tão envolvida com o que estava acontecendo na época que nem me incomodei em checar o recebimento. João e eu tivemos aquela briga e eu agi por impulso, mas agora aquilo, talvez, fosse minha salvação.

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