"Nós cobiçamos aquilo que vemos – todos os dias."
O Silêncio dos Inocentes
Eu estava debruçada sobre o tampo do piano foleando uma revista sobre decoração que tinha sido abandonada na recepção do estúdio. Cantar me fazia bem, assim como estar com os meninos da banda. Trabalhar, no entanto, era uma tortura. Era uma contante lembrança de Eric e João, mas eu fazia de qualquer maneira.
Fones auriculares ligavam o celular aos meus ouvidos. Eduardo checava umas partituras e dedilhava algumas notas ao piano, enquanto eu cantarolava acompanhando a música de minha playlist.
"And I still believe in nothing (E eu continuo não acreditando em nada)
Will we ever see the cure of our sorrow (Será que um dia veremos a cura para nossa tristeza?)
Nothing is sacred when no one is saved ( Nada é sagrado quando ninguém está a salvo)
Nothings forever so count your days" ( Nada é para sempre então conte seus dias)
Parei de cantar quando Eduardo carinhosamente tocou minha mão, que permanecia imóvel ao lado da revista. Retirei os fones e ele sorriu docemente para mim.
– Sabe, Isabel. Também conheço algumas bandas de rock. Não heavy metal mas talvez você possa conhecer.
– É mesmo? - digo me divertindo com o senhor do Jazz. – Mostre-me então.
Ele se ajeita no banco, toca delicadamente algumas teclas do piano e então, para minha surpresa, ele canta.
"Hold on little girl (Aguente firme, garotinha)
show me what he's done to you ( Mostre-me o que ele fez para você)
Stand up little girl ( Levante-se, garotinha)
A broken heart can't be that bad ( Um coração partido não pode ser assim tão ruim)
when it's through, it's through" ( Quando passa, passa.)
Eu me remexo desconfortável. Posso ser desligada mas não burra. A música fala comigo. Ele para e, depois de me observar por alguns segundos, ele fala.
– Quando eu te vi pela primeira vez, Isabel, aqui no conservatório, eu percebi que havia algo errado. – eu estava congelada e ele continuou. – Você estava profundamente triste, como se alguma coisa tivesse sido arrancada de você. Algo que não tinha como ser reparado.
Balancei a cabeça e abaixei meus olhos. Não se pode nunca subestimar a sensibilidade de um músico. Eu tinha perdido o Eric.
– Mas, depois de algum tempo, aquilo passou. Você tinha outra vitalidade. Parecia tão feliz.
Aquelas palavras projetavam uma retrospectiva em minha mente.
– E, então, aconteceu de novo: a tristeza. Nenhum mínimo lampejo de alegria no olhar. Apenas sofrimento, mas dessa vez diferente. Parece algo que não é irreparável.
Ele também se debruçou sobre o piano, deixando nossos rostos muito próximos. Passou a mão em meus cabelos e disse:
– Preciso descobrir uma coisa.
E me beijou.
A sensação do calor dos lábios dele nos meus era maravilhosa. Seu cheiro era delicioso, o carinho em meu rosto muito gostoso. Mas eu só conseguia pensar no motivo de minha tristeza: João.
Eu poderia facilmente ter retribuído o beijo com intensidade, mas não o fiz. Eduardo então afastou-se e eu lamentei por ele.
– Desculpe-me. Eu poderia tentar...
– Não se desculpe, Isabel. Eu sei que você poderia tentar. E eu seria o homem mais feliz do mundo. A não ser quando olhasse no fundo dos seus olhos e visse um amor vazio neles.
Abaixei o rosto e balancei minha cabeça numa afirmativa envergonhada. Sim, eu poderia fingir, mas não poderia enganá-lo.
– Eu queria saber se o que te aconteceu era irreparável e, ao que parece, ainda é.
Foi quando nossos colegas de banda invadiram o estúdio. Eles sentiram o clima estranho no ar, mas agiram como se nada estivesse acontecendo. Talvez, Eduardo tenha pedido para que eles se atrasassem de propósito.
O ensaio se iniciou enquanto eu secretamente implorava que aquilo não afetasse a todos nós.
E não afetou.
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Voltei! Mil perdões pela ausência.
O que acharam do capítulo? Em breve vou começar a revisão dos primeiros capítulos com melhorias!
Espero que não tenham me abandonado. Mil beijocas a todos.
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Os Cem Melhores Filmes
عاطفيّةIsabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava. =========================...
