Capítulo 37

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 " Eu normalmente fujo."

Os Sete Samurais


– Bem vinda, Isabel! – Eduardo me recebe mais tarde naquele dia.

– Esses são o Paulo, nosso baixista e guitarrista ...

– Muito prazer. – digo enquanto Paulo, um senhor de uns cinquenta anos, chacoalha minha mão.

– Prazer, senhorita.

– Esse é o Carlos, nosso baterista.

– Prazer em conhecê-lo.

– E o nosso saxofonista, que ainda não chegou, é o Getúlio. Ele anda tendo problemas com a esposa para conseguir vir aos ensaios.

– O que acontece? – digo realmente interessada.

– Digamos que ela não é nossa maior fã.

Os outros riram. Eu sorri e deixei aquilo para trás.

– Isabel, eu pensei que hoje você poderia assistir nosso ensaio para conhecer nosso estilo. Que tal?

– Para mim tudo bem. – disse fingindo fazer pouco caso.

Ótimo, na verdade estava morrendo de medo de você me pedir para cantar agora mesmo.

– Certo. Sente-se ali. Enquanto esperamos o nosso outro integrante vou aquecer tocando It Could Happen To You ( Poderia ter acontecido com você).

Acomodei-me em uma poltrona solitária encostada na parede forrada de veludo vermelho na entrada da pequena sala de som. Os rapazes ainda conversaram um pouco antes de o piano começar a fazer seu som.

Confesso que me surpreendi com a velocidade dos dedos de Eduardo tocando as primeiras notas rápidas na introdução da bela música.

Mais tarde, depois da chegada do saxofonista com problemas conjugais ouvi Blue in Green. Quando o som do sax entrou na melodia não pude evitar me sentar um pouco mais na beirada da poltrona. O saxofonista percebeu minha empolgação e, ainda soprando, piscou para mim.

Lá estava eu. Apreciando jazz feito por quatro homens muito diferentes do que eu imaginei. Todos eram mais experientes, em seus 45 ou 50 anos. Apenas Eduardo era mais jovem. Pensando bem, talvez menos jovem do que eu tinha imaginado. Confesso que não tinha prestado muita atenção neles no piano bar. Pensei que se tratava de uma banda que estava aproveitando para conseguir algum dinheiro mas não era isso. Eram quatro amantes de jazz, tocando para eles mesmos e fazendo um dinheirinho de lambuja.

Eu me arrepiei quando eles tocaram a versão instrumental de Come Fly With Me. A melodia era cativante e eles tocavam com a alma e era óbvio que faltava alguma coisa. Eduardo tinha planejado aquilo.

– Já imaginou com o seu vocal?

– Não sei se tenho todo esse cacife. Vocês são ótimos.

– Não temos pressa. Não é rapazes? Posso te passar as músicas que queríamos apresentar com a sua voz, e você pode praticar até se sentir a vontade para se apresentar.

– Vocês tem certeza? Só o Eduardo me ouviu cantar. Vão na dele que eu sou capaz? - digo com ironia.

– Todos nós já te ouvimos cantar.

Fiquei surpresa e não disfarcei.

– O quê?

– O Edu fez a gente vir ouvir você na sua aula. Nós ficamos ouvindo atrás da porta.- diz Carlos ainda sentado à bateria.

– Mas nós não somos velhos loucos nem nada, viu. Ele insistiu muito. É que ele tem certeza que você é a voz da banda. - completa Paulo sem jeito.

– Eu sou?

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Será que Isabel vai dar conta disso?


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